Pesquisa revela uso de castigos físicos em crianças de até 6 anos
Quase 1 em cada 3 cuidadores admite usar castigos físicos em crianças de até 6 anos. Estudo mostra que maioria desconhece importância da primeira infância.

Apesar de serem proibidos por lei, castigos físicos como palmadas, beliscões e apertões ainda são utilizados por 29% dos cuidadores de crianças de até 6 anos no Brasil. Desses, 13% afirmam aplicar sempre esse tipo de disciplina. Os dados são do estudo “Panorama da Primeira Infância”, divulgado nesta segunda-feira (4) pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com o Instituto Datafolha.
O levantamento mostra ainda que 17% dos entrevistados consideram os castigos físicos eficazes, enquanto 12% reconhecem que agridem mesmo sabendo que não funciona como método educativo.
Desde 2014, a Lei Menino Bernardo proíbe castigos físicos contra crianças e adolescentes, prevendo advertências e encaminhamentos a cursos de orientação para os responsáveis.
Para a diretora da fundação, Mariana Luz, o dado evidencia um padrão cultural que perpetua a violência infantil, sustentado por frases como “eu apanhei e sobrevivi”. Ela reforça que nenhuma forma de violência é inofensiva e que há impacto direto no desenvolvimento emocional e físico das crianças.
Além dos castigos físicos, 14% dos cuidadores relataram gritar ou brigar com os filhos. Por outro lado, a maioria disse adotar métodos como conversar (96%) e acalmar a criança (93%).
Outro dado preocupante é que 84% das pessoas desconhecem que a primeira infância (0 a 6 anos) é a fase mais importante do desenvolvimento humano. Apenas 2% souberam indicar corretamente esse período.
Segundo a fundação, 90% das conexões cerebrais se formam nos seis primeiros anos de vida, quando há maior potencial de aprendizado e formação de vínculos afetivos e sociais.
A pesquisa também revela que o tempo de exposição às telas ultrapassa os limites recomendados pela Sociedade Brasileira de Pediatria, com 40% das crianças passando de duas a três horas por dia em frente a dispositivos eletrônicos.
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