Polêmica sobre jato de Daniel Vorcaro em campanha eleitoral vira denúncia, e Nikolas Ferreira diz que não sabia quem era o dono
Uso de jato de Daniel Vorcaro na campanha de 2022 vira denúncia contra Nikolas Ferreira; deputado afirma que desconhecia o dono da aeronave.

O uso de um jato ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro por Nikolas Ferreira (PL-MG) durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2022 se tornou alvo de questionamentos políticos e de uma denúncia formal. Deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) apresentaram uma notícia-crime na Procuradoria-Geral Eleitoral pedindo investigação sobre a viagem realizada pelo parlamentar.
A informação sobre o voo foi divulgada pela coluna da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e rapidamente repercutiu no meio político e nas redes sociais.
Os deputados Lindbergh Farias e Rogério Correia são os autores da representação. Eles solicitam que o Ministério Público Eleitoral apure as circunstâncias do deslocamento realizado pelo deputado mineiro durante a campanha eleitoral.
A polêmica ganhou maior repercussão porque o avião utilizado na viagem pertence ao empresário Daniel Vorcaro, que foi presidente do Banco Master. A instituição financeira atualmente aparece no centro de uma investigação conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de fraudes bilionárias no sistema financeiro.
Resposta de Nikolas Ferreira
Após a repercussão do caso, Nikolas Ferreira divulgou uma nota pública confirmando que utilizou a aeronave, mas afirmou que não tinha conhecimento sobre quem era o proprietário do jato no momento da viagem.
Segundo o deputado, o voo foi disponibilizado apenas para permitir sua participação em um evento político realizado durante o segundo turno das eleições de 2022.
“Esclareço que o voo em questão ocorreu há quatro anos, durante o segundo turno da campanha eleitoral, quando fui convidado para participar de um evento político ‘Juventude pelo Brasil’ e foi disponibilizada uma aeronave para o deslocamento”, afirmou.
Nikolas também destacou que não possui qualquer vínculo pessoal, comercial ou institucional com Daniel Vorcaro. De acordo com ele, a informação sobre o proprietário da aeronave só foi conhecida posteriormente.
O parlamentar afirmou ainda que, naquele período, não existiam informações públicas que indicassem irregularidades envolvendo o empresário ou o banco ao qual ele era ligado.
“Mesmo que houvesse tentativa de identificar o proprietário da aeronave naquele momento, não existia qualquer elemento que indicasse situação irregular ou que justificasse questionamento”, disse.
Eventos da campanha de 2022
A viagem ocorreu dentro da agenda do movimento Juventude pelo Brasil, iniciativa voltada à mobilização de jovens eleitores durante a campanha presidencial de 2022.
Segundo publicações do grupo nas redes sociais, eventos foram realizados em várias capitais do Nordeste, incluindo Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza.
O objetivo do movimento era ampliar o apoio entre jovens ao então candidato à reeleição Jair Bolsonaro durante o segundo turno da disputa presidencial.
Entre as cidades visitadas pelo movimento, Bolsonaro venceu apenas em Maceió. Em João Pessoa, a votação ficou próxima entre o então presidente e o candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
Repercussão política
A polêmica envolvendo o jato de Daniel Vorcaro utilizado por Nikolas Ferreira também gerou manifestações públicas de autoridades e lideranças políticas.
A denúncia apresentada à Procuradoria-Geral Eleitoral deverá agora ser analisada pelos órgãos responsáveis para avaliar se haverá abertura de investigação sobre o caso.
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