O filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, segue rendendo. Uma operação da Polícia Civil de São Paulo investiga possíveis irregularidades em uma licitação de R$ 108 milhões vencida por uma ONG ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora responsável pelo filme.
Os apontamentos são muitos: contratação milionária para instalação de pontos de Wi-Fi pela capital paulista, questionamentos sobre execução dos serviços e a terceirização de parte do contrato. Mas o debate político talvez seja ainda maior que o jurídico.
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A questão central é: isso terá impacto eleitoral? Porque o caso recoloca o universo bolsonarista no centro da discussão em pleno período pré-eleitoral e amplia o debate para além da esfera administrativa.
Também é necessário esclarecer qual é a relação entre Karina Ferreira da Gama, suas empresas e o entorno político bolsonarista. Chama atenção o fato de a empresária estar ligada à produção de um filme sobre Bolsonaro e, paralelamente, aparecer conectada a contratos públicos de grande porte em outra área de atuação.
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Politicamente, a pressão também chega ao prefeito Ricardo Nunes, aliado de primeira de Bolsonaro. A oposição deve questionar se houve favorecimento, proximidade política ou apenas coincidências empresariais. E isso inevitavelmente pode respingar em Flávio Bolsonaro, que vinha tentando pautar temas como Trump, PCC e crime organizado, enquanto o foco do debate político volta para esse caso.
No fim, o maior problema para a direita bolsonarista talvez não seja o inquérito em si, mas a narrativa: mais uma vez, aliados e pessoas próximas ao movimento político aparecem conectados a um caso que exige muitas respostas e pouca especulação.
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