Ratinho atrai Greca para a vice de Sandro Alex. E, agora?
Rafael Greca deve compor a chapa de Sandro Alex ao Governo do Paraná. A aliança pode transferir votos e mudar o cenário eleitoral?

A confirmação de Rafael Greca como vice de Sandro Alex deve marcar o movimento político mais relevante da pré-campanha ao Governo do Paraná. A decisão, articulada diretamente pelo governador Ratinho Júnior, revela que o Palácio Iguaçu optou por ampliar a competitividade da chapa onde ainda demonstra certa fragilidade de inserção, o eleitorado curitibano.
A leitura dos números indicam que Sandro Alex não conseguiu romper a barreira de um dígito nas intenções de voto. Greca, por sua vez, também deixou de apresentar crescimento consistente. Os dois permaneceram praticamente estáveis, sinalizando que a divisão do eleitorado favorecia os adversários. Diante desse cenário, a união passou a ser mais vantajosa do que a manutenção de duas candidaturas.
O desafio, porém, começa justamente depois da fotografia da aliança. A política brasileira já mostrou inúmeras vezes que apoios importantes nem sempre significam transferência automática de votos. O capital eleitoral de Greca foi construído ao longo de anos de administração em Curitiba e possui características muito pessoais. Para que a composição produza resultado, será necessário que o ex-prefeito participe ativamente da campanha e convença seu eleitorado de que Sandro Alex representa um projeto que merece sua confiança.
A composição também resolve um impasse com o prefeito Eduardo Pimentel, sucessor de Greca, pressionado a escolher entre a lealdade ao grupo político que o elegeu e o alinhamento com o governador Ratinho Júnior. Com ambos no mesmo palanque, o MDB preserva sua unidade na capital.
Os próximos levantamentos serão decisivos para medir se essa engenharia política terá reflexo nas próximas pesquisas. Mais do que observar o crescimento de Sandro Alex, será importante identificar se os votos atribuídos anteriormente a Greca migraram para a chapa ou foram redistribuídos entre outros concorrentes.
A entrada do MDB ainda produz outro efeito importante: fortalece a candidatura de Álvaro Dias ao Senado. Incentivador da aproximação entre os partidos, ele chega à disputa liderando a pesquisa Genial/Quaest, com cerca de 20% das intenções de voto. O avanço de Álvaro, entretanto, cria um novo equilíbrio dentro da própria aliança, já que Alexandre Curi, também cotado para o Senado, aparece com aproximadamente 10%, empatado tecnicamente com outros postulantes.
A costura política parece concluída. O que ainda permanece em aberto é a pergunta que definirá os rumos da campanha: Greca mudou de chapa. Mas seu eleitor vai migrar junto? Quem viver, verá!
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