Nueva Pescanova recua após protestos contra polvos em cativeiro
Ambientalistas e defensores dos direitos animais comemoraram vitória na Justiça espanhola contra a Nueva Pescanova, que desistiu de criar polvos em cativeiro. O caso reacendeu o debate sobre a senciência e a inteligência dos polvos.

Recentemente, ambientalistas e defensores dos direitos dos animais em todo o mundo comemoraram uma importante vitória. Ademais, a empresa espanhola Nueva Pescanova, uma gigante do setor de pescados, desistiu dos planos de criação de polvos em cativeiro. Ou seja, a decisão veio após ativistas recorrerem à Justiça espanhola, apontando o estresse que a superlotação dos tanques causaria nos animais enclausurados e outras particularidades dos polvos. Dessa forma, o caso reacendeu o debate sobre a produção em cativeiro de um dos seres mais inteligentes do mundo marinho, colocando criadores e organizações de bem-estar animal em lados opostos.
Vitória judicial contra a empresa
Sobretudo, os defensores dos direitos animais basearam o pedido na Justiça espanhola em evidências de que os polvos são animais extraordinários, capazes de sentir e compreender o que acontece com eles. Portanto, com base nisso, conseguiram impedir que os planos da Nueva Pescanova avançassem.
Ademais, a vitória foi celebrada por ativistas de diferentes países, que enxergam o recuo como um precedente importante na proteção dos polvos. Consequentemente, a decisão reacendeu o debate sobre a ética da criação intensiva desses animais em tanques superlotados.
Impactos da criação em tanques
A criação de polvos em tanques resulta em conflitos entre os indivíduos, mutilações e até canibalismo. Além disso, reduz a expectativa de vida dos animais para pouco mais de seis meses – na natureza, podem viver até quatro vezes mais.
Entre os principais impactos negativos estão:
- Conflitos e mutilações entre os animais;
- Casos de canibalismo;
- Expectativa de vida reduzida para cerca de seis meses;
- Estresse agravado pela superlotação dos tanques.
Ademais, os criadores costumam manter os polvos em tanques superlotados para rentabilizar as operações, o que intensifica o sofrimento e é um dos principais motivos dos protestos globais contra a atividade.
O que dizem os criadores
Por outro lado, os criadores de polvos em cativeiro alegam que a atividade é autossustentável e protege a espécie. Ademais, eles afirmam que a produção em tanques evita que mais polvos sejam capturados na natureza para o consumo humano.
No entanto, os críticos rebatem que a superlotação compromete o bem-estar dos animais, anulando qualquer benefício conservacionista. Consequentemente, a divergência entre as duas visões mantém o impasse no setor.
Inteligência e senciência dos polvos
Sobretudo, os defensores das causas animais destacam que os polvos são seres dotados de incríveis capacidades cognitivas. Além disso, eles têm habilidades para solucionar problemas e são sencientes, ou seja, capazes de sentir sensações, emoções e percepções, como dor, prazer, medo e alegria.
Características que impressionam
- Possuem três corações e nove cérebros: um central e oito distribuídos pelos tentáculos, que podem “pensar” e agir de forma independente;
- Têm memória afiada e são capazes de aprender com experiências passadas;
- Conseguem resolver situações difíceis, como abrir potes e montar quebra-cabeças, conforme já comprovado em laboratórios;
- São capazes de reconhecer pessoas e desenvolver simpatia e amizade por aquelas que as tratam bem.
Por exemplo, quem assistiu ao documentário “Professor Polvo”, vencedor do Oscar, e ao também interessante “Criaturas Extraordinariamente Brilhantes”, baseado em um caso real – ambos disponíveis na Netflix – sabe bem dessas capacidades. Portanto, essas evidências reforçam o argumento de que a criação intensiva causa sofrimento a animais altamente conscientes.
Debate segue em aberto
Dessa forma, a vitória dos ativistas na Espanha trouxe a polêmica da produção de polvos em cativeiro novamente ao centro das discussões internacionais. Ademais, organizações de bem-estar animal esperam que a decisão incentive mais restrições à prática em outros países.
Por outro lado, representantes do setor pesqueiro defendem a viabilidade econômica da criação em cativeiro e prometem apresentar novos argumentos. Além disso, a fonte não detalhou possíveis próximos passos jurídicos ou novas iniciativas da empresa. Assim sendo, o caso deve continuar repercutindo entre os interessados no tema.
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