QUINTA-FEIRA · 23 JUL 2026Ponta Grossa 20°C ☁️
Publicidade
Ponta Grossa

Ponta Grossa já planejou abrir canaleta de ônibus no meio do Calçadão

Proposta apresentada em 2019 previa retirar parte do espaço dos pedestres para a passagem de coletivos

Ponta Grossa já planejou abrir canaleta de ônibus no meio do Calçadão
Reprodução
Publicidade

Anos antes das atuais discussões sobre a revitalização do Centro, Ponta Grossa chegou a estudar uma mudança que transformaria completamente o Calçadão da Rua Coronel Cláudio: a construção de uma canaleta para a passagem de ônibus no meio do principal corredor comercial da cidade.

A proposta veio a público em julho de 2019, durante a gestão do então prefeito Marcelo Rangel. Na época, a iniciativa estava sendo analisada pela antiga Autarquia Municipal de Trânsito e Transporte (AMTT) e tinha como objetivos reduzir o percurso realizado pelos ônibus, aliviar o tráfego na Avenida Vicente Machado e aumentar a circulação de agentes de segurança na região central.

O plano, porém, não avançou. Apenas seis dias depois da divulgação da ideia, a Prefeitura anunciou que a canaleta não seria construída. A decisão ocorreu após uma reunião com comerciantes, que discutiram os possíveis efeitos da alteração sobre o comércio e a circulação de pedestres.

Canaleta teria 3,2 metros de largura

O projeto preliminar previa a abertura de uma faixa de aproximadamente 3,2 metros no centro do Calçadão. Os ônibus sairiam do Terminal Central pela Rua Fernandes Pinheiro, entrariam na Rua Coronel Cláudio e seguiriam até a região da Praça Barão do Rio Branco.

A justificativa apresentada na época era de que o Calçadão possuía cerca de 15 metros de largura. Com a canaleta, permaneceriam pouco mais de cinco metros de espaço para pedestres em cada lado, segundo os responsáveis pela proposta. Também estava prevista a implantação de uma parada de ônibus na região conhecida como Ponto Azul.

Além dos coletivos, a passagem poderia ser utilizada por veículos oficiais, como viaturas da Polícia Militar, Guarda Municipal, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. A circulação desses veículos era defendida como uma forma de ampliar a segurança no trecho comercial.

Projeto prometia reduzir percurso dos ônibus

Os cálculos divulgados em 2019 apontavam que a mudança poderia diminuir em aproximadamente 518 quilômetros por dia a distância percorrida pela frota do transporte coletivo.

Naquele momento, estimava-se que cerca de 41 ônibus passavam pela Avenida Vicente Machado a cada hora. Ao todo, aproximadamente 750 trajetos diários poderiam ser transferidos para a nova ligação pelo Calçadão. A redução da quilometragem era apresentada como uma possibilidade de ampliar linhas nos bairros ou diminuir custos do sistema.

A proposta dividiu opiniões e despertou preocupação sobre a convivência entre ônibus, pedestres e estabelecimentos comerciais. O assunto ganhou repercussão estadual, com manifestações favoráveis e contrárias à abertura da via para os coletivos.

Prefeitura desistiu após ouvir comerciantes

Em 10 de julho de 2019, aproximadamente 50 pessoas participaram de uma reunião promovida pela Prefeitura para discutir a canaleta e alternativas de revitalização do Calçadão.

Após o encontro, Marcelo Rangel informou que a faixa exclusiva para ônibus não seria levada adiante. O Município afirmou, naquele momento, que o projeto seria reestruturado e que outras possibilidades para melhorar a mobilidade e revitalizar a área central seriam estudadas.

Revitalização volta ao debate em 2026

O episódio volta a ganhar importância diante das novas discussões sobre a revitalização do Centro de Ponta Grossa. Atualmente, entidades, universidades, representantes do poder público e setores empresariais discutem medidas para fortalecer o comércio, melhorar a segurança, valorizar imóveis históricos e estimular a ocupação da região central.

Entre as iniciativas está um diagnóstico que deverá avaliar imóveis vazios, condições das calçadas, circulação de pessoas e concentração das atividades comerciais. Questionada pelo BnT Online sobre possíveis intervenções no Calçadão e os impactos aos lojistas, a Prefeitura informou que existem estudos sobre diferentes espaços centrais, mas que não há, neste momento, cronograma de obras definido.

O Município também não detalhou eventuais bloqueios, mudanças no transporte coletivo ou medidas de apoio aos comerciantes. Segundo o IPLAN, qualquer proposta que avance para uma possível execução deverá ser apresentada previamente à comunidade.

Tags
Heryvelton Martins
Autoria
Heryvelton Martins
Jonalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
Ver todas as matérias →
Publicidade
Publicidade
Notícias relacionadas
Web Stories
Todas →
VídeosMais vídeos para você curtir
Ver no YouTube →
Faz parte da rede