Gastos de Lula com cartão corporativo podem bater recorde no terceiro mandato
Levantamento baseado em dados oficiais aponta R$ 55,5 milhões em despesas entre janeiro de 2023 e abril de 2025; projeção considera valores corrigidos pela inflação

Os gastos da Presidência da República com cartões corporativos durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva podem alcançar o maior valor da série histórica até o encerramento do governo, em dezembro de 2026. A projeção considera dados oficiais analisados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e valores corrigidos pela inflação.
Entre janeiro de 2023 e abril de 2025, a Presidência registrou R$ 55,5 milhões em despesas realizadas por meio do Cartão de Pagamento do Governo Federal (CPGF). Segundo levantamento publicado pela Gazeta do Povo, o valor já se aproxima dos aproximadamente R$ 57 milhões registrados no segundo mandato de Lula, entre 2007 e 2010.
Em valores atualizados, o primeiro governo Lula, entre 2003 e 2006, aparece no topo da série histórica, com cerca de R$ 70 milhões. Na sequência estão o segundo mandato de Lula, com R$ 57 milhões; o primeiro governo Dilma Rousseff, com R$ 50 milhões; Jair Bolsonaro, com R$ 39 milhões; Michel Temer, com R$ 18 milhões; e o segundo mandato de Dilma, interrompido pelo impeachment, com R$ 12 milhões.
Valor é da estrutura da Presidência
Os números não representam necessariamente compras feitas pessoalmente pelo presidente. As despesas abrangem a estrutura administrativa da Presidência da República e podem incluir gastos com segurança, alimentação, hospedagem, transporte, serviços de apoio e atividades relacionadas às viagens oficiais.
O cartão corporativo, oficialmente chamado de Cartão de Pagamento do Governo Federal, é utilizado para despesas que podem ser enquadradas como suprimento de fundos. Conforme o Portal da Transparência, o instrumento facilita pagamentos de bens e serviços dentro de limites e regras específicas da administração pública.
Também é necessário diferenciar os gastos da Presidência dos valores movimentados por toda a administração federal. Comparações que atribuem ao presidente a totalidade das despesas feitas por ministérios, órgãos públicos e ações da Defesa Civil podem produzir conclusões incorretas.
Em uma checagem publicada em fevereiro de 2026, o Aos Fatos destacou que os R$ 1,4 bilhão movimentados entre 2023 e 2025 abrangiam três modalidades de cartões utilizadas por todo o governo federal. Já os gastos diretos ligados à estrutura presidencial devem ser analisados separadamente.
TCU cobrou maior transparência
Além do volume financeiro, a forma de divulgação das despesas foi questionada pelo Tribunal de Contas da União. A auditoria identificou que 99,55% dos R$ 55,5 milhões registrados entre janeiro de 2023 e abril de 2025 estavam classificados como despesas sigilosas ou reservadas.
Segundo o TCU, faltavam informações como notas fiscais, descrição dos itens adquiridos e detalhamento mínimo de parte das operações. O tribunal também apontou divergências entre os dados divulgados pela Casa Civil e aqueles disponíveis no Portal da Transparência.
A Corte determinou que a Presidência e a Vice-Presidência aperfeiçoassem a divulgação das despesas. Para os gastos não sigilosos, a orientação é que os dados sejam publicados de maneira detalhada durante o mandato. Nos casos reservados, o tribunal defende que ao menos os valores consolidados por categoria sejam apresentados mensalmente.
Em resposta, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que a classificação das despesas como reservadas segue a legislação vigente, especialmente as regras da Lei de Acesso à Informação relacionadas à segurança do Estado, do presidente e de seus familiares. O governo também declarou que os gastos sem restrição podem ser consultados no Portal da Transparência.
Recorde ainda é uma projeção
Apesar da tendência apontada pelo levantamento, o novo recorde ainda não está confirmado. A comparação depende do total que será registrado até dezembro de 2026, da atualização dos valores pela inflação e da adoção da mesma metodologia para todos os governos analisados.
Os dados do TCU utilizados na projeção terminam em abril de 2025. Portanto, será necessário aguardar a consolidação das despesas de 2025 e 2026 para saber se o terceiro mandato de Lula ultrapassará oficialmente os cerca de R$ 70 milhões atribuídos ao primeiro governo do petista.























