Ponta Grossa prepara soltura de mosquitos para combater a dengue
Método Wolbachia em Ponta Grossa avança com treinamentos e visitas antes da soltura de mosquitos para auxiliar no combate à dengue.

O Método Wolbachia em Ponta Grossa entrou em uma nova etapa de implantação nas últimas semanas. Antes da soltura dos mosquitos, equipes da Secretaria Municipal de Saúde realizam treinamentos, visitas e ações de orientação em mais de 30 regiões da cidade para preparar a população para a iniciativa de combate à dengue, Zika e chikungunya.
A estratégia, desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Ministério da Saúde, utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. A presença da bactéria reduz a capacidade do mosquito de transmitir os vírus responsáveis por arboviroses.
Em Ponta Grossa, as atividades que antecedem as liberações estão concentradas principalmente na capacitação das equipes responsáveis pela operação e no engajamento das comunidades que serão atendidas pelo projeto.
Visitas antecedem soltura dos mosquitos
Agentes de Combate a Endemias estão percorrendo comércios e residências das regiões selecionadas para explicar como funciona o método, esclarecer dúvidas da população e também verificar possíveis criadouros do Aedes aegypti.
Segundo o diretor de Vigilância em Saúde, Cleiber Flores, a participação dos moradores seguirá sendo fundamental mesmo após o início das solturas.
“Todas estas etapas são fundamentais para que a população entenda a importância das ações e que, a partir da soltura dos mosquitos, as pessoas precisam continuar fazendo sua parte e eliminando possíveis criadouros”, explica.
As atividades de orientação e os treinamentos das equipes municipais devem continuar até o fim de agosto.
A Prefeitura informa que mais de 30 regiões de Ponta Grossa foram escolhidas para participar da iniciativa. Nessas localidades, os agentes também trabalham para aproximar os moradores do projeto e estimular a participação das comunidades durante a implantação.
Como funciona o Método Wolbachia
O método utiliza mosquitos Aedes aegypti que possuem Wolbachia, uma bactéria encontrada naturalmente em diversas espécies de insetos.
Quando os mosquitos com Wolbachia são liberados em áreas determinadas e passam a se reproduzir com a população local de Aedes aegypti, a bactéria é transmitida para novas gerações.
A presença da Wolbachia dificulta o desenvolvimento dos vírus da dengue, Zika e chikungunya dentro dos mosquitos, reduzindo a capacidade de transmissão dessas doenças para as pessoas.
O Método Wolbachia em Ponta Grossa não substitui, porém, as medidas tradicionais de prevenção. A população deve continuar eliminando recipientes com água parada e possíveis criadouros do mosquito.
Tecnologia não modifica geneticamente o mosquito
De acordo com as informações divulgadas sobre o projeto, a tecnologia não utiliza produtos químicos e os mosquitos empregados no método não são geneticamente modificados.
A operação é realizada pela Wolbito do Brasil e a metodologia já foi implantada em outras cidades brasileiras. Em Niterói, no Rio de Janeiro, dados citados pelo programa apontam redução de até 89% nos casos de dengue nas áreas atendidas.
A implantação em Ponta Grossa integra as estratégias de prevenção e controle das arboviroses. A expectativa é que, com o estabelecimento da Wolbachia entre a população local de mosquitos, a circulação dos vírus encontre maior dificuldade ao longo do tempo.
























