Ponta Grossa encontrou no turismo uma vocação para o futuro por Leandro Ribas
Ponta Grossa vem consolidando o turismo como uma de suas vocações estratégicas para o desenvolvimento. Ao BnT, o gestor do Parque Vila Velha Leandro Ribas destacou como o setor fortalece a economia e gera oportunidades.
Há cidades que crescem impulsionadas pela indústria, outras pelo comércio ou pela força do agronegócio. Ponta Grossa reúne todas essas características, mas, nos últimos anos, passou a evidenciar outra vocação igualmente transformadora: o turismo.
O município passou a compreender seu patrimônio natural, histórico e cultural como um ativo estratégico, cuja valorização é capaz de movimentar a economia local, gerar oportunidades e fortalecer o senso de pertencimento da população.
Esse caminho foi construído ao longo do tempo. A cidade investiu em infraestrutura, qualificação, promoção do destino e valorização de seus atrativos, se tornando uma referência para quem busca experiências ligadas à natureza, cultura, gastronomia e história. Localizada a cerca de uma hora da capital paranaense, Ponta Grossa reúne características que favorecem esse desenvolvimento e aproximam visitantes de um dos cenários naturais mais fascinantes do Sul do Brasil.
Os resultados desse trabalho vêm sendo reconhecidos. No ano passado, a Prefeitura de Ponta Grossa anunciou que o município conquistou, pelo segundo ano consecutivo, a Categoria A no Mapa do Turismo Brasileiro, classificação do Ministério do Turismo destinada aos destinos com maior desempenho em critérios como fluxo de visitantes, estrutura turística, arrecadação e geração de empregos ligados à atividade. Sustentar essa posição por dois anos seguidos indica que o turismo deixou de ser atividade complementar e passou a integrar o planejamento estratégico da cidade.
Esse movimento acompanha uma realidade observada em todo o Paraná. Segundo o Governo do Estado, o turismo paranaense registra crescimento contínuo, impulsionado pelo aumento do fluxo de visitantes, pelo fortalecimento da infraestrutura e pela diversificação das experiências oferecidas em diferentes regiões. Neste mesmo contexto, de acordo com a Embratur, o Paraná também tem alcançado projeção no cenário internacional, acompanhando o crescimento da chegada de turistas estrangeiros ao Brasil interessados em destinos que oferecem natureza e experiências ao ar livre.
Ponta Grossa participa desse cenário privilegiado. Além da localização estratégica, a cidade possui atrativos que dialogam com diferentes perfis de visitantes. Cachoeiras, formações geológicas, turismo rural, gastronomia, patrimônio histórico e eventos formam um conjunto de atrativos capaz de estimular o retorno do visitante e estender seu tempo de permanência na região.
Acompanho diariamente pessoas que chegam de diferentes estados e países para conhecer um patrimônio natural que atravessou milhões de anos até alcançar a forma que conhecemos hoje. Os Arenitos, as Furnas e a Lagoa Dourada despertam curiosidade pela beleza das paisagens, mas também pelo valor científico, geológico e ambiental que representam. Ao mesmo tempo, a unidade de conservação protege importantes remanescentes de Campos Naturais e Mata Atlântica, contribuindo para a preservação da biodiversidade paranaense e para a produção de conhecimento por meio de pesquisas e ações de educação ambiental.
Como diretor do Parque Estadual de Vila Velha e diretor de turismo na ACIPG, considero muito interessante perceber que essa experiência raramente termina nos limites do parque. Muitos visitantes aproveitam a viagem para conhecer outros atrativos de Ponta Grossa e dos Campos Gerais, movimentando hotéis, restaurantes, cafeterias, propriedades rurais, guias de turismo e o comércio local. Essa integração fortalece toda a cadeia produtiva e evidencia como diferentes destinos podem crescer juntos, cada um com suas particularidades e sua importância para a identidade da região.
Esse talvez seja um dos maiores aprendizados proporcionados pelo turismo: ele cria conexões. Aproxima pessoas da natureza, desperta interesse pela história, incentiva a conservação do patrimônio e distribui oportunidades por diferentes segmentos da economia. Quando planejado com responsabilidade, seus benefícios ultrapassam os números e alcançam a qualidade de vida da população.
Ponta Grossa reúne todas as condições para seguir escrevendo uma história inspiradora nesse setor. Possui riquezas naturais únicas, uma localização privilegiada, diversidade de experiências e uma população que compreende cada vez mais o valor do turismo como instrumento de desenvolvimento. Continuar investindo nessa vocação significa preparar a cidade para o futuro, gerando emprego, renda, conhecimento e orgulho para quem vive aqui.
A natureza levou milhões de anos para esculpir as paisagens que fazem de Ponta Grossa um destino singular. Cabe a nós transformar esse patrimônio em oportunidades, sempre com responsabilidade, ações voltadas para conservação, planejamento e respeito. Quando desenvolvimento, cuidado e hospitalidade caminham juntos, quem ganha não é apenas o turismo. É toda a cidade.
Artigo de Leandro Ribas para o livro “PONTA GROSSA: Da rota dos tropeiros aos trilhos da inovação”
























