Prefeita de Imbaú é acusada de xingar PMs de “merda”, “lixo” e “despreparados”, aponta boletim
Prefeita de Imbaú xinga policiais em áudios após abordagem ao filho e é denunciada por ameaça, tráfico de influência e abuso de autoridade.

O Portal BnT teve acesso com exclusividade a áudios atribuídos à prefeita de Imbaú, Dayane Sovinski, no qual ela estaria xingando policiais militares após uma abordagem envolvendo seu filho, situação que resultou no registro de um boletim de ocorrência na Polícia Militar do Paraná. Nas mensagens atribuídas à prefeita, ela teria proferido ofensas, ameaças e cobranças contra policiais e contra a corporação. A situação, segundo consta no documento oficial, configuraria tráfico de influência, constrangimento ilegal, abuso de poder e injúria.
Ver essa foto no Instagram
De acordo com o boletim (BOU 272700.2026), o episódio ocorreu na noite de 21 de fevereiro de 2026, por volta das 19h30, quando a comandante do destacamento da Polícia Militar no município — que se encontrava afastada das funções por licença médica após um procedimento cirúrgico — passou a receber diversas ligações de vídeo da prefeita. A policial estava em casa, acompanhada do esposo e do filho menor, quando começaram as tentativas de contato.
Segundo o registro, após não conseguir atender inicialmente as chamadas, a policial recebeu uma fotografia mostrando policiais realizando uma abordagem, acompanhada da mensagem “meu filho, meu filho, urgente”, o que a levou a retornar o contato. Conforme relatado no boletim, ao iniciar a ligação a prefeita teria passado a proferir ofensas contra a policial, chamando-a de “vagabunda”, além de exigir de forma exaltada a identificação nominal dos policiais envolvidos na abordagem, contra “o próximo prefeito de Imbaú”, segundo a descrição da própria prefeita.
Nos áudios aos quais a reportagem teve acesso, a prefeita também teria chamado os policiais de “merda”, “lixo” e “despreparados”, criticando duramente a atuação da equipe que realizou a abordagem. Após o encerramento da ligação, segundo o boletim, ela teria enviado diversas mensagens de áudio e mensagens em visualização única insistindo na cobrança dos nomes dos policiais envolvidos.
AMEAÇAS REAIS E LEVADAS
Ainda conforme o registro policial, as cobranças teriam sido feitas em tom considerado intimidatório. Em uma das mensagens, a prefeita teria afirmado que acionaria o coronel da corporação e que “ficaria ruim” para a comandante caso os nomes não fossem fornecidos. Em outro momento, teria afirmado que, caso a policial quisesse manter o destacamento, deveria “procurar a sete palmos”, expressão interpretada pela vítima como uma ameaça velada de morte.
O boletim também relata que toda a situação ocorreu na presença do esposo e do filho menor da policial, que ficaram emocionalmente abalados diante das agressões verbais dirigidas à comandante.
Posteriormente, a policial tomou conhecimento de que os fatos estavam relacionados a uma abordagem realizada por uma equipe da ROCAM a um motociclista no município de Imbaú, que mais tarde foi identificado como filho da prefeita. Após a fiscalização, o condutor foi liberado no local.
AMEAÇA AO COMANDO
O boletim também aponta que um oficial do 26º Batalhão da Polícia Militar do Paraná, responsável pela área que inclui Imbaú, teria recebido mensagens com conteúdo semelhante na mesma noite, fato que também foi registrado em outro boletim de ocorrência.
Diante do conteúdo das mensagens, a ocorrência registra possíveis crimes como tráfico de influência, ameaça, constrangimento ilegal, injúria e abuso contra direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional. O caso foi encaminhado à Polícia Civil, que deverá investigar os fatos.
RESPOSTAS
A reportagem entrou em contato com a comunicação do 26º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela área de Imbaú, e foi informada de que a corporação não irá se manifestar sobre o caso neste momento.
Também procuramos a assessoria de comunicação da Prefeitura de Imbaú e a própria prefeita Dayane Sovinski, solicitando posicionamento sobre as acusações e sobre o conteúdo dos áudios. Até o momento da publicação desta reportagem, não houve retorno aos pedidos de manifestação.























