Presos em Ponta Grossa votaram no Lula? Veja o que diz o TSE
Entenda como funciona a votação nas unidades prisionais e o que os registros do TSE mostram sobre Ponta Grossa e o Brasil.

Lula recebeu votos em seções eleitorais instaladas em presídios brasileiros. Mas será que isso aconteceu também em Ponta Grossa? A resposta depende da eleição analisada. Um estudo publicado em 2023, por pesquisadores ligados à Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), registra que nenhum preso provisório estava habilitado a votar no Paraná nas eleições de 2022. A pesquisa aborda especificamente a situação da Cadeia Pública Hildebrando de Souza.
Isso significa que, naquele pleito, não houve votação de presos provisórios nas unidades prisionais ponta-grossenses para Lula, Jair Bolsonaro ou qualquer outro candidato. Já em 2026, a situação se repete: a base de transferência temporária do eleitorado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não registra eleitores na categoria “Preso Provisório” com destino ao município nas eleições de 2026, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
O que aconteceu em Ponta Grossa
Assinado por Victor Gonçalves Iasniewicz, João Maria de Goes Junior e Pedro Fauth Manhães Miranda, o trabalho relata consultas à Justiça Eleitoral e ao então Departamento Penitenciário do Paraná.
Segundo os autores, a resposta do departamento foi de que o número de interessados não justificaria a instalação das seções. No caso da Hildebrando de Souza, o estudo relata documento da administração com dificuldades relacionadas à superlotação e à circulação interna, sugerindo que a seção eleitoral não fosse instalada. Trata-se de um registro sobre 2022, e não de uma proibição permanente de votação na cidade.
Como foi a votação no Brasil
No primeiro turno de 2026, Lula obteve 72,57% dos votos válidos nas seções de unidades prisionais e socioeducativas analisadas. Flávio Bolsonaro recebeu 23,29%. O levantamento apontou vitória de Lula em 214 das 243 unidades, de Flávio em 25 e empate em quatro.
Para o segundo turno, levantamento do SpaceMoney, que informa utilizar os boletins de urna do TSE, apontou 75,7% dos votos válidos para Lula e 24,3% para Flávio nas seções prisionais e de internação incluídas no recorte. Os percentuais descrevem essas seções, sem representar toda a população carcerária brasileira.
Uma urna no presídio não recebe apenas votos de presos
Esse é um detalhe fundamental para entender os números. Policiais penais, servidores e mesários também podem votar nessas seções mediante transferência temporária. Assim, não é correto transformar automaticamente o percentual de um candidato nessas urnas em percentual de apoio entre todos os presos.
Também existe diferença entre estar preso e estar impedido de votar. Nas regras aplicadas às eleições de 2026, presos provisórios, sem condenação definitiva, puderam participar desde que cumprissem as exigências eleitorais. Pessoas com condenação criminal transitada em julgado ficaram impedidas enquanto durassem os efeitos da condenação. Adolescentes internados com idade e situação eleitoral adequadas também puderam votar.
Um eleitorado pequeno, distribuído pelas cinco regiões
Segundo dados do TSE, 12.817 presos provisórios estavam habilitados para votar em 2026. O número corresponde a habilitados, não ao total que efetivamente compareceu. A distribuição regional era:
| Região | Presos provisórios habilitados |
|---|---|
| Sudeste | 5.065 |
| Nordeste | 4.829 |
| Sul | 1.435 |
| Centro-Oeste | 786 |
| Norte | 702 |
| Brasil | 12.817 |
São Paulo liderava entre os estados, com 3.502 registros, seguido por Bahia, com 1.663, e Maranhão, com 1.271. Nos presídios federais, a Senappen informou que não haveria seções em 2026 porque nenhuma unidade alcançou o mínimo exigido de 20 presos provisórios aptos.
A curiosidade de Ponta Grossa está justamente na distância entre ter direito e conseguir exercê-lo: em 2022, o estudo local registrou ausência de votação de presos provisórios, embora esse grupo preservasse o direito ao voto. Já os resultados nacionais mostram outra cautela necessária: saber onde a urna estava instalada não permite identificar a condição de cada eleitor nem revelar seu voto.
























