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Política

PSOL elege menos deputados e perde fundo partidário

Apesar de puxadores de voto expressivos, o PSOL não conseguiu eleger deputados suficientes para superar a cláusula de barreira. A concentração de votos em poucos nomes deixou a sigla sem acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita.

PSOL elege menos deputados e perde fundo partidário
Crédito: g1.globo.com
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A eleição para a Câmara dos Deputados em 2022 terminou com frustração para o PSOL. Apesar de contar com puxadores de voto importantes, a sigla de esquerda perdeu vagas na disputa para deputado federal e ficou sem acesso a dinheiro público para manter o partido.

Nomes como Erika Hilton (SP), Sâmia Bomfim (SP) e Jones Manoel (PE) angariaram votação significativa em seus estados. No entanto, não conseguiram levar colegas de partido para a Câmara, já que os outros candidatos não tiveram votos suficientes para atingir o patamar mínimo e se eleger.

Cláusula de barreira limita acesso a recursos

Com isso, o PSOL é um dos partidos que não alcançou a cláusula de barreira. A cláusula de barreira limita o acesso de partidos ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita na TV e rádio se a sigla não conseguir eleger 13 deputados distribuídos por nove estados ou 2,5% dos votos para a Câmara em nove estados, com um mínimo de 1,5% em cada estado.

Sem chegar a esses critérios, o partido perde acesso ao fundo partidário — dinheiro público repassado aos partidos para mantê-los — e ao tempo de rádio e TV. Ou seja, limita a existência e o crescimento do partido.

PL mostra estratégia oposta

A performance do PSOL contrasta com a do PL. Em Minas Gerais, por exemplo, a quantidade expressiva de votos de Nikolas Ferreira fez com que o partido conquistasse 21 vagas no estado, levando à Câmara até mesmo candidatos sem votação expressiva.

Uma das deputadas que concentrou os votos em São Paulo, Sâmia Bomfim (PSOL) afirma que é difícil traçar estratégias para atrair votos que são motivados por opinião mais do que por qualquer outro elemento. “É muito difícil calcular quantos votos um candidato terá quando não é eleição por máquina, território ou aparato”, disse a deputada reeleita.

Especialistas apontam organização do PL

Para o professor de ciência política da UnB Frederico Bertholini, o resultado da Câmara mostra uma melhor organização do Partido Liberal para as eleições proporcionais. Um exemplo desses fenômenos foi o Distrito Federal, em que o deputado do PSOL Fábio Felix foi o candidato mais votado para a Câmara, mas ficou sem colegas de partido eleitos.

Em um dos vídeos do deputado distrital, ele pergunta para apoiadores nas ruas quantos votos ele precisa para ser eleito. A resposta do então candidato é “mais de 150 mil”. Ele comenta ainda que algumas pessoas cravaram que ele estava com a vitória certa, mas que nada estava ganho. “Por isso eu não posso abrir mão de nenhum voto”, afirmou.

Quociente eleitoral explica derrota

Esse número, no entanto, diz respeito ao número de votos que a legenda precisaria. É o chamado quociente eleitoral. Para atingir o quociente eleitoral, a Federação PSOL/ Rede, da qual o deputado faz parte, deveria alcançar 207.382 votos — o que equivale a todos os votos válidos divididos entre as oito vagas.

Uma das alternativas apontadas por especialistas seria a federação do PSOL com partidos aliados, como o PT. A alternativa foi rejeitada em março pelos psolistas com o argumento de manter a independência da sigla.

Federação ampliada poderia ajudar

As federações partidárias unem duas ou mais siglas por, no mínimo, quatro anos. Pelas regras, as legendas passam a atuar como uma só — o que significa que, nos cálculos de distribuição de recursos, os desempenhos são somados – tanto em eleições como no Congresso Nacional.

Com menos votos que o PSOL, a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) conseguiu emplacar duas candidaturas no Distrito Federal por conta da distribuição mais equilibrada do número de votos. No DF, a federação não faria diferença no número de eleitos. Em São Paulo, por outro lado, ajudaria puxar mais duas candidaturas.

Mesmo sem uma diferença expressiva, a federação ajudaria o PSOL a atingir a cláusula de barreira, que estabelece a eleição de deputados em pelo menos nove unidades da federação. Cenário no DF: A federação ampliada somaria 476.592 votos. Dessa forma, o quociente partidário elegeria os mesmos dois deputados, Fábio Felix e Agnelo Queiroz. Na distribuição das sobras, ela ganharia uma vaga por média com Reginaldo Veras.

O resultado das urnas deixa o PSOL diante de um dilema estratégico: manter a independência ou buscar alianças para garantir sobrevivência política e acesso a recursos públicos.

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Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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