A qualidade da água em Ponta Grossa segue mobilizando autoridades e a população após uma série de reclamações registradas em diferentes bairros da cidade. Moradores relataram cheiro forte, gosto alterado e até coloração escura na água distribuída nas últimas semanas.
O tema foi discutido em reunião realizada na sede da ACIPG, convocada pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comdema), que agora detalha os encaminhamentos e cobranças feitas à Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar).
Durante o encontro, a gerente de Recursos Hídricos da Sanepar, Ester Assis, afirmou que a companhia garante a potabilidade da água distribuída à população. No entanto, a declaração gerou debate ao mencionar a ausência do Conselho de Gestão de Manancial no município, que não se reúne desde 2012. Segundo ela, além do tratamento, é necessário discutir a proteção da água bruta captada nos mananciais.
A fala foi contestada pela secretária municipal de Meio Ambiente, Carla Martins Kritski, que reforçou que a responsabilidade pela qualidade da água em Ponta Grossa, no que diz respeito ao abastecimento, é da concessionária, conforme previsto em contrato de outorga.
Outro ponto apresentado pela Sanepar envolve fatores climáticos. Com apoio técnico do Simepar e do IDR-PR, a companhia explicou que a redução da capacidade de diluição dos mananciais, somada às altas temperaturas recentes, pode favorecer a proliferação de algas, impactando características sensoriais como gosto e odor — embora, segundo a empresa, sem risco à saúde.
A superintendente regional da Sanepar, Simone Alvarenga de Campos, reforçou que a água distribuída é potável, mas reconheceu a percepção da população quanto às alterações.
Como encaminhamento, a Sanepar informou que fará ajustes operacionais e contratará consultoria externa para avaliar melhorias no sistema. Já o Condema destacou que irá acompanhar de perto as medidas adotadas e cobrar a retomada do Conselho de Gestão de Manancial, ampliando o debate sobre preservação ambiental e segurança hídrica.
O tema da qualidade da água em Ponta Grossa deve continuar em pauta nos próximos dias, especialmente diante da expectativa da população por soluções práticas e maior transparência.
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