Com três nomes postos na sucessão ao governo do Estado, o governador Ratinho Júnior tenta repetir no Paraná a mesma engenharia política que hoje observa no cenário nacional. Enquanto aguarda definição sobre seu próprio futuro presidencial, mantém abertas as apostas locais: Guto Silva, secretário das Cidades; o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi; e o ex-prefeito Rafael Greca, todos do PSD.
A lógica é clara. Ninguém é descartado, ninguém é ungido cedo demais e todos permanecem orbitando a decisão final do governador, numa reprodução quase didática do método político de Gilberto Kassab.
O ruído mais recente veio justamente de onde menos interessava. Nesta semana, Greca admitiu a possibilidade de deixar o partido para buscar espaço em outra legenda e elevou o tom ao afirmar que Ratinho teria se autonominado árbitro da vida de três pessoas. O governador reagiu negando qualquer sensação de traição, numa tentativa evidente de conter a temperatura do episódio.
O modelo kassabista costuma funcionar em escala nacional, onde o PSD opera como zona de convergência entre direita e centro e mantém múltiplos governadores viáveis, nomes que, mesmo fora da disputa presidencial, largariam competitivos para o Senado em seus estados. É um jogo arriscado!
No Paraná, o terreno é mais sensível. A eventual saída de Greca pode até ser minimizado, mas não ignorado. Há pelo menos dois outros postulantes observando o desenrolar dos fatos, além de uma base parlamentar que também reage a sinais de concentração excessiva de poder. Em política estadual, movimentos individuais costumam se propagar com mais velocidade do que no tabuleiro nacional.
O risco para Ratinho é clássico. A demora na definição, que em Brasília amplia o poder de barganha, no Paraná pode produzir o efeito inverso, estimulando projetos próprios, fissuras na base e o surgimento de alternativas fora do controle do Palácio Iguaçu.
Se a estratégia de Kassab é manter o jogo aberto até o limite, o desafio de Ratinho é saber exatamente qual é esse limite no cenário paranaense. Com um adversário competitivo como Sergio Moro liderando intenções de voto, errar o timing da sucessão pode custar mais do que apenas desconforto interno e custar a hegemonia.
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