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Política

Saúde de PG registra 944 faltas e atestados de profissionais de enfermagem em 60 dias

Levantamento apresentado ao Conselho Municipal de Saúde aponta mais de 1,7 mil dias de ausência entre profissionais da enfermagem; gestão alerta para possíveis impactos no atendimento à população

Saúde de PG registra 944 faltas e atestados de profissionais de enfermagem em 60 dias
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A saúde pública de Ponta Grossa registrou 944 ocorrências de faltas e atestados médicos entre profissionais de enfermagem em um período de 60 dias. Os dados foram apresentados durante reunião do Conselho Municipal de Saúde, realizada em 6 de outubro, e constam na ata publicada no Diário Oficial do Município nesta quinta-feira (22).

O levantamento, realizado pelo setor de Recursos Humanos, considerou um universo de 570 profissionais de enfermagem da rede municipal. Segundo os números apresentados, os afastamentos relacionados aos atestados representaram aproximadamente 1.767 dias de ausência ao trabalho.

Além disso, foram registradas 1.398 declarações que, somadas, corresponderam a cerca de 4.812 horas de ausências parciais dos servidores. Os números foram apresentados por Dalise Christine Favareto durante uma discussão sobre a organização das equipes, a disponibilidade de profissionais e os desafios enfrentados pela rede pública de saúde.

Falta de profissionais pode comprometer atendimentos

Durante a reunião, Dalise explicou que o levantamento foi elaborado para subsidiar, inclusive, uma resposta ao Ministério Público do Trabalho (MPT). A representante destacou que a ausência de profissionais, mesmo quando justificada por atestados ou declarações, pode comprometer a disponibilidade das equipes e dificultar o funcionamento adequado dos serviços de saúde.

Segundo o relato registrado em ata, o Conselho Municipal de Saúde recebe reclamações de moradores sobre dificuldades de atendimento nas unidades, incluindo situações em que pacientes afirmam não ter conseguido passar pelo acolhimento.

Dalise ressaltou que a discussão não envolve apenas a contratação de novos servidores, mas também a necessidade de administrar os recursos humanos disponíveis para garantir a continuidade dos atendimentos.

A representante reconheceu a importância de ampliar o quadro de profissionais, mas ponderou que o preenchimento de novas vagas não garante, necessariamente, a disponibilidade integral dos trabalhadores durante toda a jornada.

Rede municipal conta com 84 equipes de saúde

Outro ponto apresentado durante a reunião foi a dificuldade de organizar as equipes diante das demandas da população. Conforme a ata, a rede municipal possui 84 equipes de saúde e aproximadamente 1.200 funcionários, considerando o conjunto de profissionais mencionado na discussão.

A gestão relatou que está realizando uma reestruturação e reorganização dos serviços, buscando identificar medidas para melhorar a distribuição dos trabalhadores e assegurar a continuidade dos atendimentos.

Durante o debate, também foram mencionadas situações em que servidores precisam de redução da jornada de trabalho por condições específicas de saúde ou pela necessidade de cuidar de familiares doentes.

Dalise ressaltou que essas circunstâncias devem ser analisadas com responsabilidade, respeitando os direitos individuais dos trabalhadores e considerando as necessidades da população.

Conselheiro alerta para sobrecarga e esgotamento dos trabalhadores

A discussão também abordou as condições enfrentadas pelos profissionais que permanecem em atividade nas unidades de saúde. O conselheiro Jean Pierre de Lima defendeu a disponibilização de um enfermeiro adicional em cada unidade, com o objetivo de auxiliar na cobertura de ausências provocadas por férias e capacitações.

Ele também alertou para os riscos de sobrecarga de trabalho durante processos de remanejamento de servidores, especialmente quando profissionais são transferidos para funções sem o treinamento necessário. Segundo o conselheiro, essas situações podem contribuir para o esgotamento profissional, conhecido como burnout, e prejudicar a organização dos atendimentos.

Jean defendeu que o Conselho Municipal de Saúde acompanhe o processo de reestruturação e as novas contratações, considerando as condições reais de funcionamento dos serviços.

Levantamento não significa que 944 servidores faltaram

Apesar do número expressivo, é importante destacar que os 944 registros não representam 944 profissionais diferentes que deixaram de trabalhar. O levantamento contabiliza ocorrências de faltas e atestados entre os 570 profissionais analisados. Portanto, um mesmo trabalhador pode ter apresentado mais de um registro durante o período.

Além disso, os dados apresentados não diferenciam quantas ausências foram justificadas por questões médicas e quantas correspondem a faltas injustificadas.

Atestados médicos e outras situações previstas na legislação podem garantir afastamentos legalmente justificados. Dessa forma, os números, isoladamente, não permitem concluir que houve irregularidades ou descumprimento de obrigações funcionais pelos servidores.

Dados foram publicados no Diário Oficial

As informações constam na ata da 19ª Reunião Ordinária do Conselho Municipal de Saúde, realizada em 6 de outubro de 2026 e publicada na edição nº 4.729 do Diário Oficial Eletrônico de Ponta Grossa, desta quinta-feira (22). O documento registra as preocupações apresentadas durante o encontro e a intenção da administração municipal de reorganizar os serviços para melhorar a disponibilidade de profissionais.

A ata não apresenta uma análise individualizada das causas dos afastamentos, nem quantifica quantos atendimentos foram efetivamente prejudicados pelas ausências registradas.

O BnT Online procurou a Prefeitura de Ponta Grossa para esclarecer os números apresentados, identificar quantas ausências foram justificadas e saber se os afastamentos impactaram o atendimento nas unidades de saúde. Também foram solicitadas informações sobre as medidas adotadas para garantir a continuidade dos serviços. O espaço permanece aberto para manifestação da administração municipal.

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Heryvelton Martins
Autoria
Heryvelton Martins
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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