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Política

Pacientes aguardam internação por mais de 48 horas em UPAs de PG, aponta conselheiro

Durante reunião do Conselho Municipal de Saúde, foram relatados casos de pacientes idosos aguardando transferência hospitalar; situação foi levada ao Ministério Público

Pacientes aguardam internação por mais de 48 horas em UPAs de PG, aponta conselheiro
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A demora na internação de pacientes atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Ponta Grossa foi alvo de questionamentos durante uma reunião do Conselho Municipal de Saúde. Conforme ata do encontro realizado em 6 de outubro, publicada no Diário Oficial do Município nesta quinta-feira (22), um conselheiro relatou situações envolvendo pacientes que aguardavam transferência hospitalar e cobrou informações sobre o cumprimento do limite de permanência de 48 horas nas unidades.

O assunto foi levantado pelo conselheiro Antonio Laroca Neto, que questionou se os hospitais estavam cumprindo os prazos de internação e se o município possuía indicadores sobre o tempo médio de espera dos pacientes. Durante a reunião, Laroca mencionou uma situação na UPA Santa Paula, envolvendo três pacientes de 83, 85 e 65 anos que, segundo ele, aguardavam internação hospitalar, mesmo após encaminhamento à Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa.

Os pacientes apresentavam, conforme o relato registrado em ata, condições clínicas envolvendo tumor, trombose e hipoglicemia. O documento não especifica por quanto tempo cada um dos três pacientes permaneceu aguardando transferência.

Conselheiro relata denúncia ao Ministério Público

Diante da situação, Laroca afirmou ter encaminhado uma denúncia ao Ministério Público do Paraná (MPPR), inclusive durante o plantão noturno. O conselheiro também solicitou formalmente informações sobre o tempo de permanência dos pacientes nas UPAs e os hospitais para os quais estavam sendo encaminhados.

A preocupação está relacionada à existência de uma decisão judicial mencionada durante a reunião, referente ao limite de 48 horas de permanência nas unidades de pronto atendimento. Segundo o registro, foi esclarecido durante o debate que as UPAs deveriam encaminhar relatórios ao Ministério Público quando um paciente ultrapassasse esse período.

Laroca destacou que o objetivo dos questionamentos não era responsabilizar um hospital específico, mas compreender os problemas enfrentados pela rede de atendimento e buscar alternativas para reduzir o tempo de espera.

Ambulância teria esperado mais de três horas por leito

Outro episódio mencionado na reunião envolveu uma ambulância de uma UPA que, segundo relato de um participante identificado como Josemar, teria permanecido por mais de três horas aguardando a liberação de um leito hospitalar para internação de um paciente. Durante a discussão, também foram abordadas dificuldades nos encaminhamentos para hospitais de outros municípios e possíveis problemas de comunicação entre as equipes das UPAs e das instituições hospitalares.

Entre os pontos levantados estiveram a necessidade de exames complementares, a disponibilidade de leitos e a articulação entre os diferentes serviços de saúde.

Espera por internação psiquiátrica também preocupa

Além dos pacientes que necessitam de internação clínica, Laroca solicitou informações sobre o tempo de permanência de pessoas que aguardam internação em serviços de saúde mental na UPA Santana. O conselheiro questionou quanto tempo esses pacientes permanecem na unidade até conseguirem uma vaga hospitalar.

Durante a reunião, foi ressaltado que a situação dos pacientes de saúde mental deveria ser analisada separadamente, pois o acordo judicial relacionado ao prazo de 48 horas não necessariamente abrange esses casos.

Conselho cobra dados sobre tempo de espera

O conselheiro reforçou a necessidade de o Conselho Municipal de Saúde receber informações detalhadas sobre os encaminhamentos e os períodos de permanência dos pacientes nas unidades. Segundo ele, o acesso aos dados permitiria acompanhar o cumprimento das determinações judiciais, identificar dificuldades na rede e orientar familiares que muitas vezes não sabem a quem recorrer diante da demora nas internações.

A reunião foi encerrada sem que a ata apresentasse os indicadores solicitados ou uma resposta conclusiva sobre o tempo médio de espera por internação em Ponta Grossa. Os episódios constam nas páginas 63 e 64 do Diário Oficial Eletrônico do Município, edição nº 4.729, publicada em 22 de outubro de 2026.

Importante: as situações descritas são relatos apresentados durante a reunião do Conselho Municipal de Saúde. O documento não confirma a situação atual dos pacientes, nem comprova individualmente que os três casos mencionados ultrapassaram 48 horas de espera.

O registro também não apresenta manifestação específica da Secretaria Municipal de Saúde ou da Santa Casa sobre os três casos. Esses esclarecimentos são necessários para verificar os encaminhamentos realizados e os motivos das demoras relatadas.

Esclarecimento das UPAs

Procurado pelo BnT Online, um representante da UPA explicou que a transferência de pacientes para hospitais depende da liberação de vagas pela Central de Regulação de Leitos e da aceitação por parte da unidade hospitalar de destino. Segundo ele, na maioria dos casos, o processo ocorre em até 24 horas, considerado o prazo ideal, mas algumas situações podem chegar a 48 horas.

Quando esse período é ultrapassado, conforme o representante, a própria UPA aciona o Ministério Público para solicitar medidas judiciais que viabilizem a internação dos pacientes.

O representante também explicou que existem situações em que o próprio paciente recusa a vaga disponibilizada pela Central de Leitos. Nesses casos, a pessoa pode permanecer na UPA até que surja uma nova oportunidade de internação. Segundo ele, essa recusa pode limitar a possibilidade de intervenção do Ministério Público, uma vez que o Estado já disponibilizou uma vaga.

Sobre os três pacientes citados na reunião do Conselho Municipal de Saúde, o representante ressaltou que não tinha informações suficientes para confirmar se alguma dessas situações ocorreu nos casos mencionados. Portanto, os esclarecimentos apresentados se referem ao funcionamento geral do processo de transferência, e não especificamente aos pacientes de 83, 85 e 65 anos que aguardavam internação na UPA Santa Paula.

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Heryvelton Martins
Autoria
Heryvelton Martins
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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