As aeronaves andavam lotadas de gente. Pessoas de todas as idades e pretensões, dos antipáticos executivos, à vovó que vai visitar os netos e o casal em lua-de-mel. Nem ele nem ela em tais categorias.
Ela em viagem a trabalho. Ele que encerrava sua participação em um simpósio e voltava. E dentro do avião por que não de diversão mais um quinhão? A poltrona dela marcava a porta da saída de emergência. Lá veio ele com seu sorriso deixando a poltrona do meio a ninguém destinada.
Ela lhe convidou para ocupar tal poltrona e, em caso de qualquer emergência, ela o socorreria. Sorrisos simpáticos e a ironia que ele era socorrista e ela nada de primeiros socorros entendia.
Naquele avião, ao lado daquela asa, medo algum havia, mas houve socorro mútuo sim, bem adiante daquelas nuvens. Milhares de milhas depois, hoje, o brilho daquele momento, ainda se deixa intrigar. E ninguém mantém medo algum, nem de avião, nem de outro alguém.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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