Não sei se por mau ímpeto, fúria, desbalanceamento hormonal, há quem arremesse frequentemente objetos nas paredes de casa. Preferencialmente os mais corriqueiros, de fácil alcance das mãos. Copos, pratos, coisas que formam estilhaços em quebra dramática. Longe de qualquer pretensão atlética, contudo, digna de proeza, e impressionante literal desprendimento.
Eles se desprendem e se despedaçam. Fúria. E o sorriso da Carlinha a relatar que sua infância e adolescência foram vivenciadas praticamente sem copos, nem pratos em casa.
Não duravam muito, os poucos que por lá apareciam eram violentamente arremessados contra as paredes, também sempre avariadas, esfoladas, carcomidas. Havia sim comida. Frequentemente tendo que improvisar onde comer. Nunca acabavam os utensílios precocemente acabados.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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