O setor madeireiro em Ponta Grossa passa por uma fase decisiva em sua trajetória recente. A avaliação é do presidente do Sindimadeira, Álvaro Luiz Scheffer Júnior, que participou de uma entrevista ao vivo no BNT News e apresentou um diagnóstico completo da situação do segmento, responsável por uma das mais tradicionais cadeias produtivas dos Campos Gerais.
Scheffer lembrou que os anos de 2022 e 2023 foram extremamente positivos para o setor florestal, impulsionados pelo ritmo econômico pós-pandemia e por investimentos industriais em tecnologia, capacitação e ampliação de áreas plantadas. O cenário, no entanto, mudou de forma brusca em 2025, quando as tarifas impostas pelo governo norte-americano atingiram diretamente as exportações paranaenses.
Segundo o presidente, a interrupção do envio de produtos ao mercado dos Estados Unidos — principal destino da madeira produzida no Paraná — provocou paralisações, férias coletivas e, posteriormente, desligamentos. “Estimamos mais de 10 mil empregos diretos perdidos no setor em todo o Estado. Muitas indústrias estavam totalmente preparadas para atender o padrão americano e não conseguiram se adaptar rapidamente”, explica.
O Sindimadeira, relata Scheffer, atuou em conjunto com o Sindicato dos Trabalhadores e com a FIEP para minimizar impactos. Entre as medidas adotadas estiveram negociações para antecipação de férias, redução de jornada e busca por linhas de financiamento voltadas à manutenção da folha de pagamento. No governo federal, a pressão foi por diálogo diplomático que reduzisse as tarifas. “O tempo de resposta do governo não acompanha o tempo que a indústria precisa para sobreviver”, observou.
Mesmo com a redução parcial das taxas, produtos estratégicos, como molduras e cercas — especialidades da região — continuam com tarifas de até 40%, o que inviabiliza a competição com o mercado norte-americano. “Algumas empresas fecharam e não devem retomar, porque seus maquinários são específicos para linhas de produção voltadas exclusivamente aos EUA”, destacou.
Para Scheffer, a principal saída está no fortalecimento do mercado interno. Ele defende que o Brasil avance na construção de casas com madeira, modelo amplamente utilizado nos Estados Unidos e na Europa. Segundo ele, empresas dos Campos Gerais já produzem sistemas construtivos avançados, com alto desempenho térmico, acústico e sustentável, e poderiam atender programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida. O entrave, porém, está na tributação: “Uma casa industrializada em madeira paga mais de 30% de impostos, enquanto uma casa de alvenaria paga 1%. Assim, começamos perdendo”.
O presidente também destacou avanços como o novo programa de habitação rural do Governo do Estado, que prevê casas em sistemas construtivos de madeira para reduzir emissões de carbono na construção civil.
Para 2026, o Sindimadeira define como prioridades a equiparação tributária, a ampliação de linhas de financiamento específicas para casas industrializadas, a articulação com governos estadual e federal e o fortalecimento da qualificação profissional. “A região está crescendo e todos os setores vão enfrentar dificuldades com mão de obra. É preciso que os governos olhem para isso com urgência”, afirmou.
Scheffer encerrou a entrevista reforçando que o setor não pede favores, mas condições iguais de competitividade. “Precisamos de estímulo, não de privilégio. O setor é forte, tem tecnologia, sustentabilidade e capacidade para gerar emprego. Falta apenas o apoio necessário para que possamos retomar nosso potencial”.
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