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STF inicia depoimento de testemunhas em tentativa de Golpe de Estado

O grupo é liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e inclui outros sete denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

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Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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A partir desta segunda-feira (19), às 15h, o Supremo Tribunal Federal (STF) dará início à fase de coleta de depoimentos das testemunhas de acusação e defesa dos réus envolvidos no Núcleo 1 da suposta trama golpista. O grupo é liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e inclui outros sete denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Durante o período entre 19 de maio e 2 de junho, 82 testemunhas, selecionadas tanto pela PGR quanto pelas defesas dos acusados, serão ouvidas. Os depoimentos ocorrerão por meio de videoconferência, com o objetivo de garantir que os relatos sejam feitos simultaneamente, evitando assim a possibilidade de conluio entre os depoentes.

Entre os convocados para depor estão figuras políticas relevantes, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, além de deputados e senadores aliados ao ex-presidente. Destaca-se também a presença do general de Exército Freire Gomes, que teria emitido ameaças ao ex-presidente após uma reunião onde Bolsonaro sugeriu apoio militar ao golpe.

Os depoimentos serão supervisionados por um juiz auxiliar designado pelo ministro Alexandre de Moraes, que atua como relator do caso. Vale ressaltar que as audiências não poderão ser gravadas pela imprensa nem pelos advogados presentes.

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Após essa fase de oitiva, está prevista a convocação dos réus, incluindo Bolsonaro, para um interrogatório cuja data ainda não foi estabelecida. A expectativa é que o julgamento final ocorra ainda este ano, com os réus respondendo por crimes graves como organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Em caso de condenação, as penas podem ultrapassar 30 anos de reclusão.

Dentre os depoentes estão Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, chamado como testemunha pela defesa do ex-ministro Anderson Torres. Rocha foi afastado após os eventos golpistas ocorridos em 8 de janeiro, mas teve sua investigação arquivada pela PGR em março deste ano.

Outro nome significativo é o general Marco Antônio Freire Gomes, que não apoiou a tentativa golpista e teria ameaçado prender Bolsonaro diante da sugestão de adesão das Forças Armadas ao movimento. Além dele, outros nomes como Eder Lindsay Magalhães Balbino e Clebson Ferreira de Paula Vieira também estão na lista, sendo que este último presenciou solicitações controversas no âmbito do Ministério da Justiça.

A lista prossegue com o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior e senadores como Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que foram indicados como testemunhas de defesa em diferentes contextos dentro desse processo. Os depoimentos continuarão nos dias 26 e 29 com a participação de Marcelo Queiroga e dos ex-ministros Paulo Guedes e Adolfo Sachsida.

Núcleo 1

O Núcleo 1 é considerado central na investigação e inclui personalidades proeminentes: Jair Bolsonaro; Walter Braga Netto; general Augusto Heleno; Alexandre Ramagem; Anderson Torres; Almir Garnier; Paulo Sérgio Nogueira; e Mauro Cid. A denúncia contra eles foi aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF no dia 26 de março.

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