Stocco chama colegas de ‘covardes’ e acaba repreendido por ‘documento porcaria’
Discussão ocorreu após a rejeição do pedido para abrir um processo político-administrativo contra a prefeita Elizabeth Schmidt e a secretária de Educação

A rejeição do pedido de abertura de uma comissão processante contra a prefeita Elizabeth Schmidt terminou em um forte bate-boca entre os vereadores Geraldo Stocco (PV) e Guilherme Mazer (PT), nesta quarta-feira (2), na Câmara Municipal de Ponta Grossa.
Depois de o plenário rejeitar a denúncia por ampla maioria, Stocco chamou os demais parlamentares de “covardes” e “hipócritas”. Mazer reagiu às declarações e classificou o documento apresentado pelo vereador como uma “porcaria”.
O pedido apresentado por Stocco buscava investigar possíveis responsabilidades da prefeita Elizabeth Schmidt e da secretária municipal de Educação, Joana D’Arc Panzarini Egg, relacionadas à redução do número de trabalhadores terceirizados nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).
Stocco promete levar caso à Justiça
Após o encerramento da votação, Geraldo Stocco fez duras críticas aos vereadores que rejeitaram o recebimento da denúncia.
“São covardes e são todos hipócritas. Se na Câmara eu não consegui, terá que ser na Justiça”, declarou. O vereador afirmou que conhece o funcionamento político e administrativo do município e voltou a alertar para a possibilidade de paralisação dos trabalhadores que atuam nas unidades de ensino.
“Eu sei como as coisas funcionam. Depois não adianta esperar a greve para ir lá tirar foto. Daí não adianta”, criticou Stocco.
A declaração foi interpretada como uma crítica aos vereadores que votaram contra o pedido e que, na avaliação do parlamentar, poderiam futuramente buscar exposição política caso os trabalhadores decidam entrar em greve. Apesar de anunciar que pretende procurar a Justiça, Stocco não detalhou, durante a discussão, qual medida judicial será apresentada nem quando isso deverá ocorrer.
Mazer reage e critica documento
Guilherme Mazer reagiu imediatamente às declarações e questionou se estava sendo chamado de covarde pelo autor da denúncia. “O senhor está me chamando de covarde? O senhor vem com um documento porcaria para apresentar aqui. Se queria que ele avançasse, tinha feito algo melhor e não entregado isso”, respondeu.
Mazer afirmou que não aceita ser chamado de covarde e acusou Stocco de tentar assumir a posição de único defensor da população. “Eu não sou covarde e o senhor não é o salvador da pátria, como quer mostrar que é. Não é um documento assim que vai solucionar tudo”, declarou.
Mesmo criticando a forma e o conteúdo da denúncia, Mazer reconheceu que podem existir problemas relacionados à contratação dos trabalhadores terceirizados e ao funcionamento das unidades municipais de ensino. “Tenho certeza de que tem coisa aí, mas não é assim, no grito, que vamos conseguir”, completou o vereador.
Parlamentares apontaram erro na responsabilização
Um dos principais argumentos utilizados para rejeitar a denúncia foi a inclusão da secretária de Educação, Joana D’Arc Egg, entre as autoridades que seriam investigadas. Mazer afirmou que o processo de contratação e redimensionamento dos trabalhadores terceirizados foi conduzido pela Secretaria Municipal de Administração.
Para ele, o documento responsabilizou a secretária de Educação, mas deixou de citar a secretaria diretamente responsável pela licitação. Antes do bate-boca, o vereador Mauricio Silva também apresentou uma avaliação semelhante. “A secretaria envolvida no caso, que seria a de Administração, nem está envolvida”, afirmou Mauricio.
O parlamentar defendeu que o pedido fosse reformulado para corrigir as responsabilidades e evitar a criação de expectativas na população. Mauricio também mencionou o ambiente eleitoral e disse que uma denúncia dessa natureza deveria ser apresentada sem possíveis interferências políticas.
O que dizia a denúncia
O documento apresentado por Geraldo Stocco tinha 23 páginas e solicitava a abertura de um processo político-administrativo contra Elizabeth Schmidt e Joana D’Arc Egg. Segundo as informações reunidas pelo vereador, aproximadamente 366 trabalhadores terceirizados estariam atuando nos CMEIs de Ponta Grossa. Uma mudança no modelo de contratação reduziria esse número para cerca de 103 profissionais.
A diferença seria de aproximadamente 263 trabalhadores, representando uma redução de 71,86% no contingente informado.
Stocco sustentou que os terceirizados realizam serviços essenciais, como limpeza, higiene, alimentação, conservação e organização das unidades. O documento alertava para possíveis prejuízos ao atendimento das crianças e para a sobrecarga de professores, diretores e pedagogos.
A denúncia mencionava relatos de profissionais da educação realizando trabalhos de limpeza e cozinha, dificuldades no cumprimento integral do cardápio escolar e crianças envolvidas na organização das salas. As situações foram apresentadas como possíveis irregularidades que, na avaliação de Stocco, deveriam ser investigadas.
O pedido também solicitava o afastamento cautelar da secretária Joana D’Arc Egg durante uma eventual apuração. Caso fossem comprovadas infrações político-administrativas atribuídas à prefeita, a comissão poderia recomendar que o caso fosse levado ao plenário para uma votação de cassação.
Administração apresentou explicações
A contratação questionada foi conduzida pela Secretaria Municipal de Administração. No dia 17 de agosto, a secretária Isabele Moro participou da Tribuna Livre da Câmara para explicar o novo modelo.
Segundo Isabele, o processo foi realizado por meio do Pregão nº 41/2026 e levou em consideração a metragem dos espaços, a frequência necessária dos serviços, a circulação de pessoas, a produtividade esperada e o número de servidores efetivos disponíveis em cada unidade.
A secretária afirmou que o redimensionamento foi acompanhado pela Controladoria e pela Procuradoria do Município. Também disse que os quantitativos poderão ser ajustados conforme a necessidade de cada local.
Stocco ficou impedido de votar
Por ser o denunciante, Geraldo Stocco ficou impedido de participar da votação do próprio pedido. O vereador foi afastado momentaneamente da função apenas durante a deliberação, conforme o procedimento adotado pela Câmara.
A medida não representa afastamento definitivo do mandato. Após a análise da denúncia, Stocco retomou normalmente suas atividades parlamentares. Com a rejeição, nenhuma comissão processante será instalada e a denúncia não seguirá para investigação dentro da Câmara.
Caso já foi levado aos Ministérios Públicos
Antes de apresentar o pedido aos vereadores, Stocco encaminhou ofícios ao Ministério Público do Estado do Paraná e ao Ministério Público do Trabalho. A primeira comunicação foi enviada em 17 de agosto à 15ª Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de Ponta Grossa. O segundo documento foi encaminhado em 24 de agosto à Procuradoria do Trabalho no município.
Os ofícios solicitam a apuração dos números apresentados e dos possíveis impactos da redução sobre trabalhadores, crianças e unidades de ensino. A rejeição pela Câmara encerra a tentativa de abertura da comissão processante, mas não impede que os Ministérios Públicos analisem o caso de forma independente. Stocco também afirmou que pretende buscar uma medida na Justiça.
O espaço permanece aberto para novas manifestações dos vereadores envolvidos, da Prefeitura de Ponta Grossa e das secretarias municipais citadas.
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