O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta terça-feira (3) o início do teleatendimento gratuito em saúde mental pelo SUS voltado a pessoas com compulsão por jogos de apostas, as chamadas bets. O serviço também atende familiares e pessoas da rede de apoio.
A iniciativa é realizada em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, dentro do programa Proadi-SUS. A previsão inicial é de 600 atendimentos online por mês, com possibilidade de ampliação — a meta do Ministério da Saúde é chegar a 100 mil atendimentos mensais.
Padilha afirma que o objetivo é oferecer acolhimento, cuidado e interrupção do ciclo de sofrimento gerado pela dependência das apostas eletrônicas.
“Estamos dando mais um passo para ajudar essas pessoas a sair do sofrimento mental ligado à compulsão nas apostas, que traz problemas emocionais, financeiros e familiares”, disse o ministro.
Como funciona o atendimento
As consultas são feitas por vídeo, têm cerca de 45 minutos e integram ciclos de cuidado que podem incluir até 13 atendimentos, individuais ou em grupo. A equipe é multiprofissional, formada por psicólogos, terapeutas ocupacionais e psiquiatras, com integração à rede de assistência social e atenção básica.
O atendimento é confidencial, gratuito e protegido pela LGPD.
Como acessar o serviço
O acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital. Basta:
Baixar o app (Android, iOS ou versão web);
Fazer login com a conta gov.br;
Clicar em “Miniapps”;
Selecionar “Problemas com jogos de apostas?”.
O usuário responde a um autoteste validado por especialistas, que identifica o grau de risco.
Risco moderado ou alto: o encaminhamento para teleatendimento é automático.
Baixo risco: o app orienta procurar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), como CAPS e UBS.
O app também traz conteúdos educativos sobre sinais de alerta e prevenção. A Ouvidoria do SUS (telefone 136, WhatsApp, formulário e chatbot) está treinada para atender casos relacionados às apostas.
Custo social das apostas
Segundo o Ministério da Saúde, estudos recentes estimam que as bets causem um prejuízo anual de R$ 38,8 bilhões ao Brasil, considerando impactos econômicos e sociais. A baixa procura por atendimento presencial é atribuída à vergonha, medo de julgamento e dificuldade de reconhecer o problema — por isso o serviço online busca facilitar o cuidado.
Profissionais sendo capacitados
A pasta também está formando profissionais para atuar nesse tipo de atendimento, em parceria com a Fiocruz. Já são 13 mil inscritos, com 1,5 mil profissionais formados. Há 7 mil vagas abertas, e o ministério avalia ampliar o número.
Autoexclusão de sites de apostas
O governo federal também disponibiliza a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, que permite ao apostador bloquear seu CPF de sites de apostas e impedir novos cadastros e recebimento de publicidade.
O bloqueio pode ser de 2 meses, 6 meses ou indeterminado.
O acesso é pelo site gov.br/autoexclusaoapostas (conta prata ou ouro).
Mais de 300 mil pessoas já solicitaram bloqueio — a maioria por tempo indeterminado.
Padilha explica que a integração com o CPF permite identificar usuários em risco e conectá-los rapidamente ao atendimento em saúde mental. (As informações são da Agência Brasil)
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