SUS identifica quase 10 mil casos positivos de HPV de alto risco em novo exame
SUS identifica quase 10 mil testes positivos para HPV de alto risco. Novo exame permite detectar o vírus antes de lesões pré-cancerígenas.

O novo método começou a ser incorporado ao SUS em 2026, substituindo gradualmente o tradicional exame preventivo Papanicolau como principal ferramenta de rastreamento. A mudança segue recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que reconhece a importância dos testes moleculares para ampliar a eficácia da prevenção.
Diferentemente do Papanicolau, que identifica alterações celulares já existentes, o DNA-HPV detecta diretamente o material genético do vírus. Com isso, os profissionais de saúde conseguem identificar mulheres que necessitam de acompanhamento antes que possíveis lesões evoluam.
Vale destacar que um resultado positivo para HPV de alto risco não significa que a paciente tenha câncer. O exame indica a presença de tipos virais que exigem avaliação e acompanhamento conforme os protocolos médicos.
Novo exame pode antecipar diagnóstico em até dez anos
Uma pesquisa conduzida pelo Centro de Atenção à Saúde Integral da Mulher, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apresentou resultados importantes sobre os benefícios da nova tecnologia.
O levantamento, realizado com participantes de um programa de rastreamento em Indaiatuba, no interior de São Paulo, apontou que a utilização do teste molecular possibilitou identificar casos de câncer do colo do útero aproximadamente dez anos mais cedo em comparação ao método tradicional.
Enquanto a idade média de identificação da doença pelo rastreamento com Papanicolau foi de 49,3 anos, entre as mulheres avaliadas pelo DNA-HPV essa média caiu para 39,6 anos.
A antecipação do diagnóstico é considerada fundamental para aumentar as possibilidades de tratamento e reduzir as mortes provocadas pela doença.
Teste já está presente em 26 estados brasileiros
A implantação do novo protocolo ocorre de maneira gradual em todo o território nacional. Segundo o Ministério da Saúde, 26 estados já utilizam o exame molecular na rede pública.
O Espírito Santo é a única unidade federativa que ainda não havia concluído a adoção da tecnologia, com previsão de receber os novos testes até o final de 2026.
A ampliação do rastreamento busca facilitar a identificação de infecções persistentes por HPV de alto risco e encaminhar as pacientes para acompanhamento adequado, quando necessário.
Brasil pode registrar mais de 19 mil casos por ano
Os números reforçam a necessidade de ampliar as ações de prevenção. Conforme estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil poderá registrar aproximadamente 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano até 2028.
A doença está entre os tipos de câncer mais frequentes na população feminina brasileira. Apesar da gravidade, o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento bem-sucedido, podendo superar 95% em determinados casos identificados em estágios iniciais.
Além dos exames periódicos, a vacinação contra o HPV permanece como uma das principais estratégias para evitar infecções pelos tipos do vírus responsáveis pela maioria dos casos de câncer do colo do útero.
A orientação é que as mulheres procurem as unidades de saúde para verificar a indicação do rastreamento conforme a idade e o histórico clínico. Em Ponta Grossa e nos demais municípios dos Campos Gerais, a população também pode buscar informações sobre prevenção e vacinação nas unidades da rede pública.
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