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Tribunal impede voto por correio de Trump em 23 estados

Tribunal de apelações nos EUA mantém suspensa ordem executiva de Trump que criava novas regras para o voto pelo correio. A decisão atende a estados governados por democratas e impede restrições antes das eleições de novembro.

Tribunal impede Trump voto correio em 23 estados
Crédito: G1
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Um tribunal federal de apelações dos Estados Unidos decidiu, neste sábado (25), manter suspensa uma ordem executiva do presidente Donald Trump que estabelecia novas regras para a votação pelo correio em 23 estados.

A Corte de Apelações do 1º Circuito, com sede em Boston, rejeitou o pedido do governo para derrubar uma liminar concedida em 25 de junho a um grupo de estados liderados por governadores democratas. Com a decisão, as medidas restritivas permanecem bloqueadas, preservando as legislações estaduais atuais.

Corte rejeita recurso e mantém liminar

Os magistrados do 1º Circuito decidiram por maioria manter a suspensão da ordem executiva, frustrando a tentativa do Departamento de Justiça de reverter a liminar. O juiz de primeira instância já havia concluído que trechos centrais da medida eram inconstitucionais, e o tribunal de apelações referendou esse entendimento, determinando que a suspensão continuasse enquanto o mérito do caso não for julgado.

Os estados governados por democratas argumentam que a ordem extrapola a autoridade do Executivo, já que a administração das eleições é tradicionalmente atribuição estadual.

Embora a fonte não tenha detalhado a composição exata do voto entre os juízes, a manutenção da liminar é um revés significativo para o governo às vésperas das eleições de novembro, quando o controle do Congresso estará em jogo. Assim, os eleitores desses 23 estados continuarão a votar pelo correio seguindo as regras locais, sem as exigências federais adicionais.

As exigências da ordem executiva

Os três pilares do decreto

Assinada por Trump em março, a ordem executiva estabelecia três exigências principais para o voto pelo correio:

  • Criação, pelo governo federal, de uma lista de eleitores considerados aptos a usar esse método em cada estado;
  • Envio das cédulas apenas para os eleitores cadastrados nessa lista;
  • Utilização de envelopes com códigos de barras individuais para rastreamento das correspondências.

Com a suspensão, os estados ficam desobrigados de colaborar com a lista federal e podem manter seus próprios procedimentos de verificação de eleitores.

Especialistas já avaliavam, desde a assinatura do decreto, que ele enfrentaria forte contestação judicial. A Constituição americana delega aos estados a organização das eleições, e qualquer intervenção federal é rigorosamente analisada pelos tribunais. Essa previsão se confirmou com a decisão liminar e agora com a confirmação em segunda instância.

Contradição no discurso de Trump

A iniciativa faz parte da campanha de Trump por regras mais rígidas para a votação por correspondência. Desde a derrota nas eleições de 2020, o presidente alega, sem provas, que houve fraude e defende mudanças no sistema.

No entanto, apesar das críticas, o próprio Trump utilizou o voto pelo correio em uma eleição especial na Flórida, na semana anterior à assinatura do decreto. Questionado, afirmou que recorreu ao sistema porque, como presidente, tinha “muitas coisas diferentes” para fazer.

Na véspera da decisão, o presidente participava do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, no Waldorf Astoria Washington DC. O evento de sexta-feira (24) reuniu políticos e jornalistas, mas não teve o sistema eleitoral como tema central.

Próximos capítulos da disputa

A decisão mantém a ordem executiva suspensa até a conclusão do processo. O tribunal não fixou um cronograma para o julgamento do mérito, mas espera-se que a batalha legal alcance as cortes superiores. Enquanto isso, as regras atuais de votação pelo correio nos 23 estados continuam em vigor.

A medida integra a estratégia do governo para as eleições de novembro, quando estará em jogo o controle do Congresso. Para os democratas, a manutenção da liminar é uma vitória que protege o acesso ao voto. Para Trump, representa mais um obstáculo na implementação de sua agenda de segurança eleitoral. A fonte não detalhou os próximos passos processuais.

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