SEXTA-FEIRA · 26 JUN 2026Ponta Grossa 12°C 🌦️
Publicidade
Ponta Grossa

Violência contra a mulher em Ponta Grossa preocupa Conselho e reforça cobrança por Delegacia 24h

Violência contra a mulher em Ponta Grossa preocupa Conselho Municipal, que cobra Delegacia da Mulher 24h e ampliação das políticas públicas.

Publicidade

A violência contra a mulher em Ponta Grossa segue como um desafio para autoridades e organizações da sociedade civil. O tema foi abordado pela conselheira do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Juliane Gibala Carrico, durante entrevista ao Portal BnT, na qual ela detalhou as ações desenvolvidas pelo órgão e as demandas consideradas urgentes para fortalecer a rede de proteção no município.

O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher é vinculado à Secretaria Municipal da Família e possui caráter deliberativo e fiscalizador. A instituição atua no acompanhamento e na formulação de políticas públicas voltadas às mulheres, promovendo o diálogo entre o poder público e a sociedade civil.

Segundo Juliane, a composição do Conselho busca garantir equilíbrio nas decisões. Metade dos membros representa o governo municipal, enquanto a outra metade é formada por representantes de organizações da sociedade civil.

“O Conselho tem a função de fiscalizar políticas públicas, propor novas ações e acompanhar a execução das iniciativas voltadas às mulheres no município”, explicou.

Fóruns e debates fortalecem políticas públicas

Entre as iniciativas recentes, o Conselho tem promovido fóruns, simpósios e encontros voltados à discussão de políticas públicas para mulheres. Essas atividades buscam ampliar o debate sobre igualdade de gênero e fortalecer a rede de enfrentamento à violência.

Um dos principais eventos foi o 5º Fórum de Políticas Públicas para a Mulher em Ponta Grossa, espaço que reuniu representantes da sociedade civil, gestores públicos e especialistas para discutir propostas de melhoria no atendimento às vítimas de violência.

Além da promoção de debates, o Conselho também atua na fiscalização de equipamentos municipais voltados ao atendimento de mulheres e participa da elaboração do Plano Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, documento que estabelece diretrizes para o enfrentamento da violência nos próximos anos.

Dados sobre violência acendem alerta

Durante a entrevista, Juliane destacou números que evidenciam a gravidade da situação na cidade. Em 2024, Ponta Grossa registrou oito casos de feminicídio. Já no primeiro semestre do mesmo ano, foram contabilizadas 4.390 denúncias de violência contra mulheres.

Outro dado preocupante citado pela conselheira é um levantamento nacional que colocou Ponta Grossa entre os 10 municípios brasileiros com piores índices de qualidade de vida para mulheres.

Segundo ela, esses indicadores refletem não apenas os casos de violência, mas também desigualdades estruturais, como diferenças salariais e baixa presença feminina em espaços de poder. Um exemplo é a Câmara Municipal, onde apenas três dos 19 vereadores são mulheres.

Conselho cobra Delegacia da Mulher 24 horas

Entre as principais reivindicações do Conselho está a criação de uma Secretaria Municipal da Mulher, considerada fundamental para ampliar e coordenar políticas públicas específicas no município.

Outra demanda considerada urgente é a implantação de uma Delegacia da Mulher com atendimento 24 horas. Atualmente, Ponta Grossa possui Delegacia da Mulher, comandada pela delegada Cláudia Krieger, porém o atendimento ainda não ocorre em regime integral.

De acordo com Juliane, o Conselho já iniciou encaminhamentos junto à Secretaria Estadual de Segurança Pública para discutir a viabilidade da ampliação do atendimento.

“Estamos enviando ofícios e buscando entender quais são as necessidades estruturais e de efetivo para que esse atendimento 24 horas se torne realidade”, afirmou.

Rede de proteção e participação social

O município também conta com iniciativas de apoio às vítimas, como o sistema Elas Protegidas, plataforma digital que permite registrar denúncias e acessar informações sobre serviços de proteção.

Além disso, diversas instituições integram a rede de enfrentamento à violência contra a mulher em Ponta Grossa, oferecendo atendimento jurídico, psicológico e social.

O Conselho também se prepara para a eleição de novas conselheiras para o próximo mandato, que ocorrerá em um fórum previsto para os próximos meses. A participação acontece por meio de entidades que atuam em pautas relacionadas às mulheres.

Mesmo quem não integra organizações pode acompanhar as reuniões como ouvinte, conhecendo o funcionamento do órgão e participando do debate público.

Para Juliane, ampliar o envolvimento da sociedade é essencial para avançar na garantia de direitos. “A participação da sociedade civil é fundamental para fortalecer a cobrança por políticas públicas e construir soluções que garantam mais segurança e dignidade para as mulheres”, concluiu.

Leia mais: Ampliação do Parque Estadual do Guartelá fortalece proteção ambiental

Nilson de Paula
Autoria
Nilson de Paula
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), mestre em Ciências Sociais Aplicadas pela mesma instituição e produtor cultural. Atua como pesquisador das rotinas e das produções jornalísticas, com foco em relações étnico-raciais, história e política, articulando comunicação, análise social e práticas culturais em sua trajetória profissional e acadêmica.
Ver todas as matérias →
Publicidade
Publicidade
Notícias relacionadas
Web Stories
Todas →
VídeosMais vídeos para você curtir
Ver no YouTube →