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“Em briga de marido e mulher não se mete a colher”? Eu discordo — e explico por quê.

Eu cresci ouvindo essa frase. Talvez você também. Mas, ao longo da minha trajetória no Direito, especialmente ouvindo histórias reais de mulheres, eu aprendi que essa ideia não só está errada — como pode ser perigosa.

Hoje, quero dividir com você reflexões importantes que surgiram a partir de uma conversa que tive com representantes da Polícia Militar do Paraná. Um diálogo necessário, direto e, acima de tudo, esclarecedor.

A verdade é simples: violência contra a mulher nunca foi algo “recente”. Ela sempre existiu. O que mudou, especialmente com a criação da Lei Maria da Penha, foi a forma como a sociedade passou a enxergar e enfrentar esse problema. Em 2026, a lei completa 20 anos — e ainda há muito a ser feito.

Durante essa conversa, um ponto me chamou muito a atenção: a ideia de que a violência não começa com um tapa. Muitas vezes, ela começa de forma silenciosa — com controle, humilhação, ameaças, isolamento. A chamada violência psicológica, por exemplo, é uma das mais cruinosas, justamente porque se instala aos poucos, fazendo com que a mulher duvide de si mesma.

E não para por aí. Existe também a violência moral, patrimonial, sexual e até a chamada violência vicária — quando o agressor usa filhos, animais ou qualquer outro vínculo emocional para atingir a vítima. É duro dizer isso, mas é real.

Outro ponto que eu faço questão de reforçar aqui: muitas mulheres não denunciam. E não é por falta de coragem. É por medo, dependência financeira, vergonha, ou até por não reconhecerem que estão vivendo uma situação de violência. Sim, isso acontece mais do que imaginamos.

Eu já ouvi relatos de mulheres que só perceberam que eram vítimas quando começaram a entender melhor os sinais. Controle financeiro? Violência. Ameaças veladas? Violência. Monitoramento constante? Violência.

E aí eu te faço uma pergunta: por que a gente reage imediatamente quando sofre um furto, mas hesita quando sofre violência dentro de casa?

A resposta está em uma cultura que, por muito tempo, normalizou o inaceitável.

Mas isso precisa mudar. E já está mudando.

Hoje, existem ferramentas importantes de proteção. No Paraná, por exemplo, há o botão do pânico (aplicativo Salve Maria), que permite acionar a Polícia Militar rapidamente em situações de emergência. Em casos mais graves, há o monitoramento com tornozeleira eletrônica para o agressor, garantindo mais segurança para a vítima.

Além disso, existem iniciativas como o programa Ampara, da Defensoria Pública, que permite solicitar medidas protetivas de forma online — um avanço fundamental, principalmente para quem tem dificuldade de acesso ou medo de buscar ajuda presencialmente.

Mas, acima de qualquer tecnologia ou política pública, existe algo essencial: a atitude.

Se você está em uma situação de risco, procure ajuda. Se conhece alguém que está, não se omita. Aquela velha frase precisa ser substituída por outra, mais justa e mais humana: em briga de marido e mulher, a gente mete a colher, sim.

Porque não é sobre interferir.
É sobre salvar vidas.

Eu sigo por aqui, usando esse espaço para informar, orientar e, principalmente, dar voz a quem muitas vezes não consegue falar.

Se precisar, você não está sozinha

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