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2026 deve ser igual ou pouco melhor que 2025

O setor automotivo brasileiro encerrou 2024 com o melhor mês em vendas dos últimos três anos, mas 2025 apresentou um crescimento modesto e desigual. Para 2026, a combinação de juros ainda elevados com medidas de incentivo ao consumo, como a reforma do Imposto de Renda, sugere um cenário de estabilidade ou leve melhora, influenciado também pela Copa do Mundo.

2026 deve ser igual ou pouco melhor que 2025
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Um final de ano surpreendente

O setor automotivo brasileiro fechou 2024 com força. Dezembro registrou 257,4 mil emplacamentos, o melhor mês em volume de vendas dos últimos três anos.

Esse desempenho superou todos os meses desde 2021, indicando uma recuperação pontual no consumo. O resultado é surpreendente, pois ocorreu em um cenário de juros elevados.

A taxa Selic estava em 12,25%, e os bancos cobravam uma média de 29,5% ao ano para financiamentos. Apesar do crédito caro, a demanda mostrou resiliência no último mês do ano.

O crescimento desigual de 2025

Em 2025, o cenário se mostrou mais complexo e desigual. Os números até novembro revelam um avanço tímido para a indústria nacional.

Desempenho dos veículos nacionais

A fabricação nacional de veículos leves teve um crescimento anual de apenas 0,5% nos emplacamentos. Considerando apenas automóveis, a situação foi pior, com uma queda de 0,3% nas vendas.

Bom desempenho dos importados

Em contraste, os veículos leves produzidos fora do Brasil tiveram um desempenho robusto. O volume de janeiro a novembro avançou 7,6%.

Para automóveis isoladamente, esse salto foi ainda maior, atingindo 11,5%. Os números evidenciam uma preferência do consumidor por modelos importados.

O peso das importações chinesas

Dentro do segmento de importados, os carros vindos da China ganharam destaque significativo no mercado brasileiro.

Segundo a Anfavea, os emplacamentos desses veículos, de janeiro a novembro de 2025, somaram quase 162 mil unidades.

Além disso, havia mais 212,4 mil carros importados da China em estoque nos portos e concessionárias à espera da conclusão das vendas em novembro.

Esse volume expressivo indica uma forte presença e uma oferta aquecida, que pressiona a produção nacional e redefine a concorrência no setor.

As perspectivas para 2026

Para o próximo ano, as projeções apontam para um cenário de estabilidade ou leve melhora. A combinação de fatores econômicos e eventos externos deve moldar o mercado.

Fatores positivos para o consumo

A redução dos juros, ainda que lenta, se combina com o menor nível de desemprego da história. Isso cria uma base mais sólida para o consumo.

A principal medida de incentivo direto é a reforma do Imposto de Renda. Em 2026, haverá isenção para quem ganha até R$ 5 mil e redução da alíquota para ganhos até R$ 7,3 mil.

Essas mudanças fiscais poderão injetar R$ 28 bilhões na economia, estimulando gastos em diversos setores, incluindo o automotivo.

Os desafios que permanecem

Apesar dos incentivos, os juros devem continuar muito altos. Isso pode limitar o acesso ao crédito e frear uma recuperação mais acelerada.

A tendência é de uma queda lenta e gradual dos juros, um processo que pode não impactar imediatamente as decisões de compra.

O impacto da Copa do Mundo

Outro fator que moldará 2026 é a Copa do Mundo, que ocorrerá no meio do ano. O evento pode gerar um efeito sazonal positivo no consumo e no humor do mercado.

Assim, o ano tende a ser igual ou pouco melhor que 2025. O cenário equilibrará medidas de estímulo com obstáculos financeiros persistentes.

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