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Ponta Grossa

Acusado de fornecer armas no caso da morte de Everton é solto em PG

Magistrado concluiu que não existem indícios suficientes para relacionar Daicson Rocha Batista ao planejamento ou à execução do crime que matou Everton Henrique dos Santos

Acusado de fornecer armas no caso da morte de Everton é solto em PG
Reprodução
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A Justiça de Ponta Grossa decidiu que Daicson Rocha Batista não será submetido ao Tribunal do Júri no processo que apura o assassinato de Everton Henrique dos Santos, de 35 anos, morto dentro de casa, no Jardim Royal, em setembro de 2024. A vítima, conforme apontam as investigações, teria sido assassinada por engano.

Na sentença proferida na sexta-feira (28), o juiz Hélio Cesar Engelhardt, da 3ª Vara Criminal de Ponta Grossa, impronunciou Daicson por ausência de indícios suficientes de autoria ou participação. A prisão preventiva também foi revogada e a Justiça determinou a expedição do alvará de soltura, caso ele não estivesse preso por outro motivo.

Em nota encaminhada ao BnT Online, o advogado Renato Tauille informou que Daicson foi colocado em liberdade após a decisão.

A impronúncia não significa uma absolvição definitiva. Trata-se do reconhecimento de que, nesta fase do processo, não existem elementos suficientes para levar o acusado ao julgamento popular. Conforme o artigo 414 do Código de Processo Penal, uma nova acusação ainda poderá ser apresentada se surgirem provas novas antes da extinção da punibilidade.

Acusação estava relacionada ao fornecimento de armas

Daicson havia sido denunciado sob a acusação de ter fornecido ou autorizado a utilização dos armamentos empregados na ação criminosa. A denúncia incluiu sete acusados e tratava do homicídio qualificado de Everton e de duas tentativas de homicídio, relacionadas à esposa da vítima, Maristela Ferreira dos Santos Araújo, e à filha do casal, que também estavam na residência.

Ao analisar especificamente a situação de Daicson, o magistrado concluiu que a instrução processual não produziu elementos seguros capazes de confirmar a acusação.

A vinculação dele ao caso estava baseada principalmente em conversas extraídas do celular de Rodrigo Dias do Nascimento. Nos diálogos, havia menção a uma pessoa identificada pelo apelido “DK”, a quem teriam sido feitos pedidos relacionados à obtenção de armas.

A Justiça, entretanto, concluiu que não foi apresentada nenhuma prova independente capaz de demonstrar que o “DK” mencionado nas mensagens era Daicson Rocha Batista. O próprio Rodrigo Dias, responsável pelas conversas utilizadas na acusação, declarou em juízo que o “DK” citado nos diálogos era outra pessoa. Ele também afirmou não conhecer Daicson.

Nenhuma arma foi encontrada com Daicson

A sentença destaca ainda que nenhuma arma relacionada ao homicídio foi apreendida com Daicson. Também não foram encontradas conversas diretas entre ele e os demais acusados tratando do crime.

Segundo o documento judicial, não existem registros telefônicos, encontros, monitoramentos, reconhecimentos pessoais, dados de geolocalização ou outros elementos técnicos que indiquem a participação de Daicson no planejamento ou na execução da ação.

Mesmo que o “DK” mencionado nas mensagens fosse Daicson, o juiz entendeu que o conteúdo das conversas não comprovaria adesão ao plano criminoso. Os diálogos mostravam pedidos feitos por Rodrigo Dias para conseguir armamentos, mas não havia confirmação de que eles foram atendidos.

Os registros também indicavam que as armas mencionadas estavam com terceiros e não demonstravam que o interlocutor tivesse autorizado o uso delas no crime. A Justiça também não encontrou elementos que mostrassem a participação de Daicson em reuniões preparatórias, na definição de estratégias, na organização da logística ou no contato com os executores antes do homicídio.

Para o magistrado, a acusação permaneceu fundamentada apenas na possível coincidência entre o apelido “DK” e Daicson, o que foi considerado insuficiente para submetê-lo ao Tribunal do Júri.

Daicson negou participação no crime

Durante o interrogatório judicial, Daicson afirmou que não teve participação na morte de Everton Henrique dos Santos. Ele relatou que já havia sido preso em novembro de 2024 em razão da mesma investigação e que permaneceu detido por aproximadamente 30 dias, até a revogação daquela prisão.

Daicson declarou que, na época do crime, usava tornozeleira eletrônica e estava submetido a monitoramento. Segundo seu depoimento, a rotina se limitava aos deslocamentos entre sua residência e o trabalho.

Ele também afirmou que teve o celular apreendido e que a polícia cumpriu mandados de busca em locais frequentados por ele, inclusive na casa de sua irmã, sem encontrar elementos que o relacionassem ao assassinato.

Daicson negou ter fornecido ou emprestado armas aos envolvidos e afirmou não possuir relação com os demais investigados. Nas alegações finais, tanto a defesa quanto o Ministério Público pediram a impronúncia de Daicson.

Defesa diz que decisão reconhece falta de elementos

Em nota enviada à imprensa, o advogado Renato Tauille afirmou que a defesa recebeu a decisão com satisfação e reiterou que sustentou a inocência de Daicson durante o processo.

“A defesa de Daicson recebe com satisfação a decisão judicial que o impronunciou, reconhecendo, nesta fase processual, a ausência de elementos suficientes para submetê-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri. Desde o início, a defesa sustentou firmemente a inocência de Daicson e demonstrou, ao longo do processo, que não havia elementos capazes de justificar sua submissão ao julgamento popular. Com essa decisão, a prisão foi imediatamente revogada e Daicson colocado em liberdade”, informou a defesa.

Relembre o caso

Everton Henrique dos Santos foi assassinado por volta das 0h15 do dia 1º de setembro de 2024, dentro da própria casa, no Jardim Royal, em Ponta Grossa. Conforme já publicado pelo BnT Online, criminosos armados invadiram o imóvel durante a madrugada e efetuaram diversos disparos. Everton estava na residência com a esposa, Maristela, e a filha do casal, de três anos.

Em depoimento à Justiça, Maristela relatou que acordou com o barulho dos tiros e abraçou a filha, que estava no berço, para protegê-la. Ela não conseguiu identificar os invasores devido à baixa luminosidade. Os disparos atingiram a parede, o colchão e o chão do quarto, em áreas próximas à cama e ao berço. Maristela e a criança não foram atingidas.

Everton foi baleado quatro vezes e caiu no banheiro da casa. O laudo pericial identificou vestígios compatíveis com pelo menos 12 disparos feitos com pistolas dos calibres 9 milímetros e .380. A esposa descreveu Everton como um homem trabalhador, dedicado à família e sem envolvimento com tráfico de drogas, armas, facções criminosas ou outras atividades ilícitas.

Vítima teria sido morta no lugar de outro homem

A investigação apontou que o verdadeiro alvo da ação seria Helinton Venâncio Cortes. Conforme a acusação analisada pela Justiça, os envolvidos teriam realizado buscas e consultas para localizar o endereço dele. Um erro na identificação da residência teria levado os executores até a casa de Everton, que não possuía relação com a desavença investigada.

A sentença registra que existiam informações e conversas relacionadas à localização de Helinton. Após o homicídio de Everton, alguns investigados ainda teriam discutido formas de encontrar o alvo original, circunstância considerada pela Justiça como um indício de que a vítima foi atingida por engano.

Em dezembro de 2025, a Polícia Civil deflagrou a Operação Coordenada Falsa para cumprir sete mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão em Ponta Grossa e em duas cidades de Santa Catarina. A ação buscava alcançar supostos executores, articuladores e pessoas investigadas pelo fornecimento das armas.

Quatro acusados irão a júri

Na mesma sentença que impronunciou Daicson, a Justiça determinou que quatro acusados sejam submetidos ao Tribunal do Júri de Ponta Grossa:

  • Rodrigo Cruz Silva;
  • José Maurício Barros Júnior;
  • Rodrigo Dias do Nascimento;
  • Elias Ferreira Boneta.

Eles foram pronunciados, em tese, por homicídio qualificado e por duas tentativas de homicídio, referentes à esposa e à filha de Everton. A decisão de pronúncia não significa condenação. A responsabilidade criminal de cada um será analisada pelos jurados.

As prisões preventivas dos quatro foram mantidas por decisão do magistrado, especialmente sob o fundamento da garantia da ordem pública. Além de Daicson, também foram impronunciados Eduardo Patrick Junior Dias de Oliveira e Cezar Maurício Galvão Antunes. A Justiça concluiu que não havia indícios suficientes de autoria ou participação em relação aos três e revogou as respectivas prisões preventivas.

A decisão ainda pode ser questionada por meio de recurso. Para os quatro pronunciados, o processo deverá seguir as etapas previstas antes da marcação do julgamento pelo Tribunal do Júri. Até o momento da sentença, não havia data definida para a sessão.

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Heryvelton Martins
Autoria
Heryvelton Martins
Jonalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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