Hoje, senti a urgência de compartilhar minhas reflexões sobre o Alagados, um lugar que conheço e estimo profundamente. Como morador e estudioso do direito ambiental, percebo que nossa região dos Campos Gerais vive um delicado equilíbrio entre meio ambiente, turismo e os direitos de propriedade.
Minha relação com o direito ambiental começou ainda na engenharia florestal. Trabalhei na Prefeitura de Curitiba e em empresas como Clabinho e Parmalat, sempre ligado à área ambiental. Depois, decidi cursar direito, seguir com o mestrado e agora o doutorado, sempre focando na gestão de territórios e meio ambiente. Ao longo desse caminho, percebi algo que me marcou profundamente: no nosso cotidiano, poucas ações realmente protegem o meio ambiente. A maior parte do direito ambiental está voltada para punir, e não para defender. Em Ponta Grossa, por exemplo, há apenas quatro ações civis públicas tratando do meio ambiente. É muito pouco.
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O que mais me preocupa é a fiscalização precária. Temos órgãos como a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o IAT, ICMBio e IBAMA, mas o número de fiscais é insuficiente para atender toda a região dos Campos Gerais. A promotoria ambiental também não é exclusiva; o promotor se divide entre várias áreas. Resultado: muitas áreas sensíveis acabam sem proteção adequada.
Quando penso nas Áreas de Preservação Permanente (APPs), como as margens dos rios, lagoas e nascentes, sinto a responsabilidade de educar e conscientizar. Essas áreas, conhecidas como mata ciliar, funcionam como barreiras contra poluição e erosão, protegendo nossa água. Mas vejo que alguns agricultores, em busca de lucro, desrespeitam a reserva legal e as APPs, plantando em várzeas e drenando banhados. O Alagado, que deveria ser um manancial protegido, já teve muitas nascentes perdidas e sofre com assoreamento.
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A regularização ambiental e fundiária é outro desafio. As casas próximas à represa precisaram se adequar às normas do Código Florestal, instalar biodigestores, repovoar áreas e contribuir com fundos ambientais. Essa é uma forma de garantir que todos cumpram o papel de preservar o Alagados.
Como professor e morador, vejo também o potencial turístico dessa região. O Alagados guarda paisagens deslumbrantes: pontilhões da ferrovia, cânions, cachoeiras e pinturas rupestres. É um lugar que pode se tornar referência em turismo ecológico. Mas para isso, precisamos que a comunidade e o poder público reconheçam seu valor, protejam suas riquezas naturais e incentivem o turismo sustentável.
O maior aprendizado que levo é simples, mas poderoso: preservar o meio ambiente não é apenas uma questão legal ou acadêmica, é uma responsabilidade que temos com as próximas gerações. Cada ação que tomamos hoje vai refletir na qualidade de vida dos nossos filhos e netos. Por isso, continuo acreditando e atuando, seja como professor, advogado ou cidadão. O Alagados nos ensina que o equilíbrio entre natureza e desenvolvimento é possível, mas exige consciência, cuidado e compromisso de todos nós.
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