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economista UEPG
Foto: Reprodução/BnT

O economista Alexandre Roberto Lages, do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), analisou durante entrevista ao quadro BnT Entrevista o novo aumento registrado no Índice da Cesta Básica em Ponta Grossa. O levantamento referente ao período entre a primeira semana de abril e a primeira semana de maio de 2026 apontou alta de 2,19%, fazendo o valor médio da cesta passar de R$ 973,26 para R$ 994,56.

Segundo Lages, o dado chama atenção por representar o terceiro aumento consecutivo registrado na cidade. Durante a entrevista, o economista destacou que o valor atual da cesta básica está muito próximo do maior índice já registrado pela pesquisa da UEPG, ocorrido em abril de 2025, quando a cesta chegou a R$ 1.087,00.

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“O que chama atenção é justamente essa sequência de aumentos, porque isso representa perda do poder de compra da população”, afirmou o economista durante a conversa ao vivo.

Carne e batata lideram altas

Na análise apresentada por Alexandre Roberto Lages, o principal impacto no aumento da cesta veio do grupo carnes, que teve alta de 6,03%. A carne bovina subiu 7,80%, influenciada pela redução da oferta para abate e pelo aumento das exportações.

O economista explicou que o crescimento das exportações reduz a disponibilidade do produto no mercado interno e pressiona os preços para os consumidores brasileiros. Além da carne bovina, o frango também apresentou elevação nos preços.

Outro destaque da entrevista foi a forte alta da batata, que registrou aumento de 62,09%, sendo o produto com maior variação positiva do levantamento. De acordo com Lages, fatores climáticos e o fim da safra reduziram a oferta em regiões produtoras, provocando o salto nos preços.

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O economista ressaltou que produtos hortifrutigranjeiros costumam sofrer oscilações frequentes por questões sazonais e climáticas, podendo apresentar quedas rápidas após períodos de alta.

Banana teve maior queda

Enquanto a batata liderou as altas, a banana apresentou a maior redução de preços entre os produtos pesquisados, com queda de 42,04%. Alexandre Roberto Lages explicou que esse comportamento é comum no grupo hortifrutigranjeiro, justamente pela influência direta do clima e da sazonalidade sobre a produção.

Durante a entrevista, o economista orientou os consumidores a acompanharem as oscilações dos produtos para aproveitar períodos de queda nos preços.

Mais de 61% do salário mínimo comprometido

Outro ponto abordado no BnT Entrevista foi o impacto da cesta básica sobre o orçamento das famílias ponta-grossenses. Segundo o levantamento da UEPG, uma família que recebe um salário mínimo precisa comprometer cerca de 61,35% da renda mensal para adquirir os produtos básicos de alimentação, higiene e limpeza.

Leia também: Economista da UEPG analisa aumento da cesta básica em Ponta Grossa

Lages relembrou que, quando a pesquisa começou, em 1994, o salário mínimo sequer conseguia pagar integralmente a cesta básica. Segundo ele, houve melhora gradual ao longo dos anos, especialmente após 2005, quando o reajuste do salário passou a superar a inflação em alguns períodos.

O economista também comparou momentos de estabilidade com períodos de crise econômica, como 2016 e a pandemia, quando o comprometimento da renda chegou próximo de 70% do salário mínimo.

Combustíveis, petróleo e dólar podem pressionar novos aumentos

Na reta final da entrevista, Alexandre Roberto Lages afirmou que o cenário econômico internacional também influencia diretamente o custo da cesta básica em Ponta Grossa. Ele citou o aumento do barril de petróleo, os custos de transporte e possíveis oscilações do dólar como fatores que podem continuar impactando os preços nos próximos meses.

O economista destacou ainda que alguns produtos, como leite e derivados, tendem a subir durante o inverno devido à redução da produção e ao aumento do consumo nesta época do ano.

UEPG prepara nova pesquisa sobre hábitos de consumo

Durante a entrevista, Alexandre Roberto Lages anunciou que o Departamento de Economia da UEPG irá iniciar uma nova Pesquisa de Orçamento Familiar em Ponta Grossa. O estudo buscará atualizar os hábitos de consumo da população e revisar os pesos utilizados na composição do índice da cesta básica.

Segundo ele, universitários da instituição participarão do levantamento em campo para entender quais produtos têm maior peso no orçamento das famílias ponta-grossenses atualmente.

A entrevista completa com o economista Alexandre Roberto Lages foi exibida no quadro BnT Entrevista, do Portal BnT Online. Confira na íntegra aqui:

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