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António José Seguro vence eleições presidenciais em Portugal com até 73% dos votos

António José Seguro vence as eleições presidenciais em Portugal com 68-73% dos votos, destacando-se como moderado frente a André Ventura.

António José Seguro vence eleições presidenciais em Portugal com até 73% dos votos
Foto: RS/Fotos Públicas
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No último domingo, 8 de fevereiro, o socialista António José Seguro foi declarado vencedor das eleições presidenciais em Portugal, conforme indicam as projeções de boca de urna. Seguro, que já ocupou o cargo de secretário-geral do Partido Socialista (PS), conquistou entre 68% e 73% dos votos, segundo a estimativa da Universidade Católica divulgada pela emissora RTP.

O resultado aponta para uma vitória expressiva de Seguro sobre André Ventura, líder do partido Chega e representante da direita radical, que se destacou durante a campanha com um discurso fortemente anti-imigração. A figura de Seguro é percebida como moderada e centrada, o que pode ter contribuído para seu apelo ao eleitorado.

Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, admitiu a derrota após a divulgação das primeiras projeções, mas se referiu ao partido como “o grande vencedor da direita”, afirmando que a legenda provou ser uma alternativa ao sistema tradicional, que se uniu contra suas propostas.

O sistema político português é caracterizado por um regime semipresidencialista de natureza parlamentar. Neste modelo, embora o presidente seja eleito diretamente pelo povo, o poder executivo é exercido pelo primeiro-ministro, que é indicado após as eleições legislativas e necessita do apoio da maioria no Parlamento. Desde 2024, Luís Montenegro lidera o governo como primeiro-ministro, representando uma coligação de centro-direita encabeçada pelo Partido Social Democrata (PSD).

Embora a presidência em Portugal não tenha um caráter meramente cerimonial, o presidente desempenha um papel moderador importante dentro do sistema político. Dentre suas atribuições estão a capacidade de vetar leis e nomear o primeiro-ministro. Em circunstâncias extremas, o presidente tem ainda a prerrogativa de dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, uma medida frequentemente chamada de “bomba atômica”.

A eleição de Seguro pode ser crucial para a manutenção da estabilidade do governo minoritário liderado pelo PSD. O novo presidente contou com o apoio de diversas figuras políticas moderadas em Portugal, incluindo Aníbal Cavaco Silva, ex-presidente e ex-primeiro-ministro do país. Também receberam Seguro os prefeitos das cidades de Lisboa e Porto, Carlos Moedas e Pedro Duarte respectivamente, ambos do PSD. Luís Marques Mendes, que foi candidato apoiado pelo PSD no primeiro turno, declarou seu voto em Seguro devido ao seu compromisso com “a defesa da democracia” e “a moderação política”.

A votação ocorreu em meio a um estado de calamidade pública devido a severas tempestades que afetaram várias regiões do país. Ventura chegou a solicitar o adiamento da eleição, porém as autoridades eleitorais descartaram essa possibilidade, permitindo apenas alguns adiamentos pontuais em localidades específicas. De acordo com os primeiros resultados disponíveis, a taxa de comparecimento no segundo turno foi semelhante à do primeiro turno.

Boca no Trombone
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