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Política

Após decisão do TRT, nova votação na VCG revolta trabalhadores e divide categoria

Diversos funcionários procuraram o BnT Online após o Sintropas convocar uma quarta assembleia; sindicato defende pagamento desde novembro, enquanto parte da categoria prefere o cumprimento da decisão judicial

Após decisão do TRT, nova votação na VCG revolta trabalhadores e divide categoria
Arquivo / BnT Online
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Diversos trabalhadores da Viação Campos Gerais (VCG) entraram em contato com o BnT Online para reclamar da nova assembleia convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Transporte de Passageiros de Ponta Grossa e Região (Sintropas). A votação está marcada para segunda-feira (3) e será a quarta realizada desde o início das negociações da atual data-base.

O novo encontro acontece depois de o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região ter definido reajuste de 6% para os salários, o piso da categoria e o vale-alimentação. O centro da discussão é a escolha entre duas possibilidades. A primeira é aceitar uma nova proposta negociada pelo sindicato, com pagamento de diferenças desde novembro de 2025, acordo com duração de dois anos e contribuição negocial. A segunda é manter integralmente a decisão do TRT-9, que garante os 6% a partir de 27 de janeiro de 2026.

O Sintropas afirma que a nova proposta é mais vantajosa porque aumenta o período dos retroativos. Parte dos funcionários, porém, prefere perder os valores de novembro, dezembro e parte de janeiro para evitar um novo acordo de dois anos e a possível cobrança mensal destinada ao sindicato.

Diversos trabalhadores reclamam da nova assembleia

Nos relatos encaminhados à reportagem, funcionários dizem estar cansados da demora para que o reajuste seja aplicado. Eles afirmam que esperavam o cumprimento da sentença depois da decisão dos desembargadores. Um trabalhador, que terá a identidade preservada, disse que a categoria está enfrentando desgaste e estresse com a repetição das votações.

“O juiz já determinou que é para pagar desde janeiro. Agora estão querendo fazer outra votação para aceitar o retroativo desde novembro, mas com contribuição e acordo por dois anos”, afirmou. Segundo o funcionário, parte da categoria prefere receber apenas o que foi determinado pela Justiça.

“Nós aceitamos perder esses três meses. Queremos que paguem os atrasados desde janeiro e cumpram o que o juiz decidiu”, declarou. Outros trabalhadores apresentaram reclamações semelhantes. Eles questionam por que a contribuição volta à discussão depois de uma proposta anterior ter sido rejeitada e dizem temer que a nova negociação prolongue o assunto por mais dois anos.

Os funcionários contrários à assembleia também afirmam que pretendem buscar orientação jurídica para saber se a nova votação pode ser questionada. Até o momento, porém, não foi apresentada ao BnT Online nenhuma ação judicial contra a convocação.

Sindicato diz que conseguiu proposta melhor

O presidente do Sintropas, Luiz Carlos de Oliveira, conhecido como Luisão, afirmou ao BnT Online que o sindicato voltou a negociar com a VCG depois do julgamento. Segundo ele, a empresa aceitou apresentar uma proposta para pagar as diferenças desde novembro de 2025. “Nós não concordamos com o retroativo somente a partir de 27 de janeiro. Procuramos a empresa e conseguimos uma proposta para pagar desde novembro. Isso é uma vantagem para os mil trabalhadores”, declarou.

Luisão explicou que o pagamento poderia alcançar salários, 13º, cartão-alimentação, férias e outras diferenças do período. “Vai receber o salário de novembro, o 13º, o salário de dezembro, o salário de janeiro e os retroativos de quem saiu de férias”, afirmou. Para o presidente do sindicato, a negociação é melhor do que a sentença porque garante aproximadamente três meses adicionais de diferenças.

“A nossa negociação é muito melhor do que o que foi julgado no dissídio, porque retroage a novembro e não apenas a 27 de janeiro”, disse.

Luisão afirma que decisão pertence aos trabalhadores

O presidente do Sintropas disse que a categoria não será obrigada a aceitar a proposta. Segundo ele, a obrigação do sindicato é levar a possibilidade para votação. “Os trabalhadores não são obrigados a aceitar, mas eu sou obrigado a levar em assembleia. O sindicato é o representante dos trabalhadores e a decisão é deles”, afirmou.

Luisão explicou que, caso a proposta seja rejeitada, permanecerá a decisão do TRT, com pagamento a partir de 27 de janeiro de 2026. “Se eles quiserem manter os efeitos do julgamento, vão perder os três meses de retroativo, o 13º, o cartão-alimentação desse período e os reflexos para quem saiu de férias”, declarou.

O que o TRT-9 decidiu

O dissídio coletivo — processo usado quando sindicato e empresa não conseguem chegar a um acordo — foi apresentado ao TRT-9 em 27 de janeiro de 2026. Os desembargadores determinaram reajuste de 6% no piso salarial, nos salários dos trabalhadores abrangidos pelo processo e no auxílio-alimentação ou refeição.

O percentual é formado pelo INPC de 4,49%, referente à inflação do período analisado, mais 1,51% de aumento real. A sentença vale de 27 de janeiro de 2026 até 26 de janeiro de 2027. O sindicato queria que o reajuste fosse aplicado desde 1º de novembro de 2025, data-base da categoria. O Tribunal, entretanto, entendeu que o processo foi apresentado fora do prazo necessário para garantir o pagamento desde novembro.

Por isso, os efeitos financeiros foram mantidos a partir de 27 de janeiro, quando a ação foi protocolada. Sintropas e VCG apresentaram pedidos de esclarecimento. O sindicato voltou a pedir os retroativos desde novembro, enquanto a empresa questionou pontos da decisão e a duração de 12 meses.

Os desembargadores rejeitaram os pedidos das duas partes e mantiveram a sentença. A decisão judicial tratou somente do reajuste do piso, dos salários e do vale-alimentação. O TRT-9 não criou contribuição negocial e também não aprovou automaticamente um acordo coletivo com duração de dois anos.

Trabalhadores temem acordo de dois anos

Parte da categoria também questiona a duração da nova proposta. Segundo o edital, o acordo coletivo teria validade de dois anos e manteria a data-base em 1º de novembro de 2025. Os trabalhadores contrários dizem que preferem manter a sentença do TRT até janeiro de 2027 e iniciar uma nova discussão salarial depois, em vez de assinar agora um acordo mais longo.

Um funcionário afirmou que a preocupação é receber os valores retroativos e, em troca, ficar preso a condições que ainda não foram totalmente explicadas. “Querem pagar desde novembro, mas querem dois anos de acordo e contribuição. Nós preferimos cumprir o que a Justiça determinou”, disse.

VCG aguarda decisão dos funcionários

Procurada pelo BnT Online, a Viação Campos Gerais afirmou que aguardará o resultado da assembleia e que a decisão cabe aos próprios funcionários. “Essa é uma decisão que envolve os colaboradores frente às propostas manifestadas pelo sindicato e agora temos que aguardar a decisão soberana dos funcionários”, informou a empresa. A VCG não detalhou os índices da nova proposta, o percentual da contribuição negocial nem a data prevista para aplicar o reajuste determinado pelo TRT caso o novo acordo seja rejeitado.

Como será a votação

A assembleia será realizada na segunda-feira (3), das 9h às 18h, por meio de votação secreta. As urnas serão instaladas na garagem da VCG e nos terminais Central, Uvaranas, Oficinas e Nova Rússia. Os trabalhadores decidirão entre aceitar a proposta negociada pelo sindicato, com retroativos desde novembro de 2025, ou manter a sentença do TRT-9, com reajuste de 6% a partir de 27 de janeiro de 2026.

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Heryvelton Martins
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Heryvelton Martins
Jonalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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