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Após nove anos preso, ex-PM recebe pedido de desculpas por tortura no Paraná

Ato em Pitanga reconheceu violações contra Gerson Milusk de Carvalho, condenado após confissão sob tortura; anulação da condenação depende de revisão criminal

Motorista é preso por embriaguez ao volante após perseguição em Ponta Grossa
Foto: PMPR / ilustrativa
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O Estado brasileiro fez um pedido formal de desculpas ao ex-policial militar rodoviário Gerson Milusk de Carvalho, que passou ao menos nove anos preso após uma condenação baseada em confissão obtida sob tortura. A cerimônia ocorreu nesta quinta-feira (15), em Pitanga, na região central do Paraná, 31 anos depois das violações.

O reconhecimento público atende a uma recomendação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Representantes dos governos federal e estadual, do Sistema de Justiça e da sociedade civil participaram do ato. Gerson foi acusado de envolvimento nas mortes de Wilson Schon e Irene Maria dos Santos, ocorridas em março de 1995, em Pitanga.

Dois anos depois, recebeu uma pena de 26 anos de prisão. Ele negava participação no crime e denunciou ter sido coagido a confessar.

Carta escrita na prisão levou caso à comissão

Enquanto cumpria a pena, Gerson trabalhou na biblioteca da penitenciária e começou a estudar livros de Direito. A leitura permitiu que identificasse caminhos para questionar a condenação e apresentar denúncias a diferentes instituições. Em 2003, uma carta escrita à mão levou o caso à CIDH. No documento, ele relatou prisão sem ordem judicial, agressões físicas e psicológicas e depoimentos prestados sem acompanhamento de advogado.

Entre as práticas denunciadas estavam choques elétricos, simulações de afogamento e sessões de tortura em “pau de arara”. Conforme o relato, as declarações obtidas nessas circunstâncias foram utilizadas no processo criminal. Em 2014, a comissão recomendou a revisão do caso pela Justiça brasileira.

Pedido de desculpas não anula condenação

Durante a cerimônia, o Estado reconheceu os danos provocados a Gerson e à família e assumiu compromissos relacionados à reparação e à prevenção de novas violações. O reconhecimento público, porém, não anula automaticamente a condenação. O Ministério Público designou um promotor para avaliar a revisão criminal.

As medidas anunciadas também incluem a continuidade das investigações para esclarecer os fatos e identificar os responsáveis, além de iniciativas de fortalecimento da Defensoria Pública e de combate à tortura. Para Gerson, o ato representa alívio após décadas de luta, mas não apaga o período de afastamento dos filhos. A família destacou que a persistência dele foi fundamental para manter a busca por reparação.

A Defensoria Pública informou que continuará acompanhando o caso nas esferas cível e criminal.

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Heryvelton Martins
Autoria
Heryvelton Martins
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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