Argentina critica Brasil após redução da representação diplomática
Governo de Javier Milei classificou a decisão brasileira como unilateral e afirmou que divergências entre presidentes não deveriam afetar as relações entre os países

O governo da Argentina criticou, nesta terça-feira (4), a decisão do Brasil de reduzir temporariamente o nível da representação diplomática entre os dois países. Em comunicado, a chancelaria argentina afirmou que a medida foi tomada de forma unilateral pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com a mudança, o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, permanecerá no Brasil. Durante esse período, a representação diplomática brasileira na Argentina ficará sob responsabilidade do ministro-conselheiro Eduardo Uziel, segundo na hierarquia da embaixada.
Segundo o governo argentino, a decisão representa um distanciamento do Brasil em relação aos demais países da região por motivações ideológicas. A gestão de Javier Milei também defendeu que as relações diplomáticas devem ser conduzidas pelos interesses permanentes das populações, e não por conflitos políticos ou pessoais entre governantes.
Argentina contesta medida brasileira
No comunicado, a chancelaria argentina declarou que, nos últimos anos, autoridades dos dois países fizeram diferentes manifestações políticas e demonstraram apoio a lideranças adversárias. Apesar disso, o governo Milei afirma que não transformou essas divergências em incidentes diplomáticos. A Argentina também informou que seguirá conduzindo sua política externa com foco no interesse nacional e na soberania do país. A manifestação ocorreu depois de o embaixador argentino no Brasil ser convocado pelo Ministério das Relações Exteriores para ser comunicado oficialmente da decisão.
Troca de críticas aumenta tensão
A crise diplomática ganhou força após declarações de Javier Milei durante a convenção nacional do Partido Liberal, realizada no fim de julho, em São Paulo. Na ocasião, o presidente argentino criticou Lula e fez ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Questionado posteriormente sobre as declarações, Lula respondeu de forma irônica e disse não saber quem era Milei. O presidente argentino voltou a atacar o brasileiro durante uma entrevista exibida no domingo (2), quando o chamou de “ladrão” e “corrupto”.
Diante da escalada das declarações, o Itamaraty decidiu manter Julio Bitelli no Brasil até que Milei interrompa as ofensas dirigidas a autoridades brasileiras. Apesar da redução da representação diplomática, as embaixadas continuam funcionando, mas passam a ser comandadas por encarregados de negócios, e não por embaixadores.
Brasil e Argentina são os dois maiores integrantes do Mercosul e mantêm uma relação estratégica em áreas como comércio, indústria, energia e integração regional. A nova tensão ocorre em meio às diferenças políticas e ideológicas entre Lula e Milei.
























