Ato simbólico do Dia da Mulher reúne participantes em Ponta Grossa e reforça luta contra violência

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Luísa de Andrade
Luísa de Andradehttp://www.bntonline.com.br
Jornalista formada pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), com experiência em produção de conteúdo jornalístico, apuração de pautas e cobertura de temas de interesse público. Atua na elaboração de reportagens multimídia, produção de textos informativos e cobertura de eventos, com foco em jornalismo local.
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Um ato do Dia da Mulher em Ponta Grossa reuniu participantes neste domingo (8) em uma mobilização simbólica realizada no Lago de Olarias. A atividade integra o movimento “Parem de Nos Matar!” e teve como objetivo chamar a atenção para a violência contra mulheres e para a necessidade de políticas públicas mais efetivas de proteção.

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A organização da ação é do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, com mobilização e articulação em parceria com o coletivo Levante Mulheres Vivas. A mobilização oficial prevista para marcar a data deverá ser remarcada devido às condições climáticas, mas participantes estiveram presentes para realizar um gesto simbólico de conscientização.

MOBILIZAÇÃO DESTACA LUTA DAS MULHERES

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Integrante do coletivo Levante Mulheres Vivas de Ponta Grossa, Ligiane de Meira destacou que o 8 de março representa um dia histórico de luta das mulheres.

“O 8 de março é o dia de luta das mulheres. Foi cunhado em 1975 pela ONU. As mulheres são mortas, são assediadas na rua, violentadas, mas principalmente não são respeitadas”, afirmou.

Segundo ela, a participação da sociedade civil organizada é fundamental para que as demandas das mulheres cheguem aos espaços de decisão.

“A gente veio participar aqui para somar junto, porque a sociedade civil organizada tem que levar as demandas para o conselho, para que o conselho leve isso à frente para as nossas autoridades”, disse.

Ligiane também chamou atenção para a realidade enfrentada por mulheres na cidade.

“Ponta Grossa é uma das cidades mais perigosas para se ser mulher. Estamos aqui para lutar pelas mulheres que estão agora, pelas que virão e também pelas que já foram vítimas”, afirmou.

VISIBILIDADE E INCENTIVO À DENÚNCIA

Para a participante Ana Oliveira, o ato tem como objetivo ampliar o debate sobre violência contra mulheres e incentivar vítimas a buscarem ajuda.

“Eu vim participar desse movimento por causa da grande quantidade de mortes e violência contra as mulheres no nosso país, que cada dia tem aumentado mais […] Precisamos falar não só com as mulheres, mas com os homens e com os meninos desde o começo da infância, com uma educação antimachista”, disse.

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Ela destacou a importância da educação desde a infância para enfrentar o problema. Ana também ressaltou que muitas vítimas enfrentam dificuldades para denunciar seus agressores.

“Esse ato é importante para dar visibilidade para a causa, mas principalmente para dar coragem para aquelas mulheres que são agredidas e muitas vezes não têm possibilidade de denunciar”, afirmou.

A professora de história Isabel Estancik, também presente na ação, destacou que a divulgação dos casos de violência também contribui para ampliar a conscientização.

“Infelizmente os casos de feminicídio e violência contra mulheres estão sendo cada vez mais divulgados. Essa divulgação chama atenção para a necessidade de educação, principalmente entre os meninos”, afirmou.

A professora destaca que muitas mulheres ainda enfrentam barreiras culturais para denunciar agressões por estarem habituadas na dinâmica patriarcal.

CONSELHO COBRA POLÍTICAS PÚBLICAS

A conselheira do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Juliane Gibala Carrico, afirmou que a principal mensagem da mobilização é a urgência no enfrentamento à violência contra mulheres.

“Ainda estamos lutando pelo básico, que é o direito à vida. O pedido de ‘parem de nos matar’ é realmente urgente. Os dados são alarmantes e o 8 de março não é um dia de comemoração, mas de cobrança por políticas públicas efetivas”, destacou.

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Segundo ela, a participação da sociedade é essencial para fortalecer o enfrentamento da violência.

“É com o coletivo que tudo é conquistado. A sociedade engajada demonstra indignação e fortalece a articulação entre movimentos sociais e poder público”, afirmou.

Juliane também apontou algumas medidas consideradas fundamentais para reduzir a violência contra mulheres no município, como a criação de uma Secretaria da Mulher, ampliação do efetivo de profissionais que atuam na rede de atendimento, capacitação permanente das equipes e ampliação do horário de atendimento da Delegacia da Mulher e do Centro de Referência da Mulher Brasileira.

A conselheira ressaltou que, apesar de avanços, a estrutura de atendimento às vítimas ainda precisa ser ampliada.

“Já avançamos muito, mas ainda há muita coisa que precisa ser feita. A criação da rede de enfrentamento à violência contra a mulher foi uma conquista importante, mas a falta de efetivo e de investimentos ainda são gargalos”, afirmou.

DADOS SOBRE VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES

Dados da Caravana Paraná Unido pelas Mulheres apontam que Ponta Grossa registra números expressivos de violência contra mulheres.

Entre 2018 e 2022, o número de ocorrências saltou de 4.524 para 7.393 casos, um aumento de 63,4%. No período, foram registrados 32.917 casos de violência contra mulheres no município.

No cenário nacional, o levantamento semestral Jan a Jun de 2025, do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem) indica que o Brasil registrou 2.978 casos de feminicídios consumados e tentados no primeiro semestre de 2025, sendo 950 mortes e 2.028 tentativas.

A pesquisa também aponta que a maior incidência de vítimas ocorre entre mulheres de 25 a 34 anos, faixa que representa 32,9% dos casos.

REDE DE APOIO

Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda por meio de canais como o telefone 180, o NUMAPE, o Centro de Referência da Mulher Brasileira, a Delegacia da Mulher, a Casa de Corina Portugal e o Juizado especializado.

Segundo o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, denunciar ainda é um passo fundamental para romper o ciclo de violência.

“Nós sabemos que é extremamente difícil romper esse ciclo, mas existem movimentos, articulações e políticas públicas que nos defendem. Denunciar é o primeiro passo”, destacou a conselheira.

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