Um ato do Dia da Mulher em Ponta Grossa reuniu participantes neste domingo (8) em uma mobilização simbólica realizada no Lago de Olarias. A atividade integra o movimento “Parem de Nos Matar!” e teve como objetivo chamar a atenção para a violência contra mulheres e para a necessidade de políticas públicas mais efetivas de proteção.
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A organização da ação é do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, com mobilização e articulação em parceria com o coletivo Levante Mulheres Vivas. A mobilização oficial prevista para marcar a data deverá ser remarcada devido às condições climáticas, mas participantes estiveram presentes para realizar um gesto simbólico de conscientização.
MOBILIZAÇÃO DESTACA LUTA DAS MULHERES
Integrante do coletivo Levante Mulheres Vivas de Ponta Grossa, Ligiane de Meira destacou que o 8 de março representa um dia histórico de luta das mulheres.
“O 8 de março é o dia de luta das mulheres. Foi cunhado em 1975 pela ONU. As mulheres são mortas, são assediadas na rua, violentadas, mas principalmente não são respeitadas”, afirmou.
Segundo ela, a participação da sociedade civil organizada é fundamental para que as demandas das mulheres cheguem aos espaços de decisão.
“A gente veio participar aqui para somar junto, porque a sociedade civil organizada tem que levar as demandas para o conselho, para que o conselho leve isso à frente para as nossas autoridades”, disse.
Ligiane também chamou atenção para a realidade enfrentada por mulheres na cidade.
“Ponta Grossa é uma das cidades mais perigosas para se ser mulher. Estamos aqui para lutar pelas mulheres que estão agora, pelas que virão e também pelas que já foram vítimas”, afirmou.
VISIBILIDADE E INCENTIVO À DENÚNCIA
Para a participante Ana Oliveira, o ato tem como objetivo ampliar o debate sobre violência contra mulheres e incentivar vítimas a buscarem ajuda.
“Eu vim participar desse movimento por causa da grande quantidade de mortes e violência contra as mulheres no nosso país, que cada dia tem aumentado mais […] Precisamos falar não só com as mulheres, mas com os homens e com os meninos desde o começo da infância, com uma educação antimachista”, disse.
Ela destacou a importância da educação desde a infância para enfrentar o problema. Ana também ressaltou que muitas vítimas enfrentam dificuldades para denunciar seus agressores.
“Esse ato é importante para dar visibilidade para a causa, mas principalmente para dar coragem para aquelas mulheres que são agredidas e muitas vezes não têm possibilidade de denunciar”, afirmou.
A professora de história Isabel Estancik, também presente na ação, destacou que a divulgação dos casos de violência também contribui para ampliar a conscientização.
“Infelizmente os casos de feminicídio e violência contra mulheres estão sendo cada vez mais divulgados. Essa divulgação chama atenção para a necessidade de educação, principalmente entre os meninos”, afirmou.
A professora destaca que muitas mulheres ainda enfrentam barreiras culturais para denunciar agressões por estarem habituadas na dinâmica patriarcal.
CONSELHO COBRA POLÍTICAS PÚBLICAS
A conselheira do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Juliane Gibala Carrico, afirmou que a principal mensagem da mobilização é a urgência no enfrentamento à violência contra mulheres.
“Ainda estamos lutando pelo básico, que é o direito à vida. O pedido de ‘parem de nos matar’ é realmente urgente. Os dados são alarmantes e o 8 de março não é um dia de comemoração, mas de cobrança por políticas públicas efetivas”, destacou.
Segundo ela, a participação da sociedade é essencial para fortalecer o enfrentamento da violência.
“É com o coletivo que tudo é conquistado. A sociedade engajada demonstra indignação e fortalece a articulação entre movimentos sociais e poder público”, afirmou.
Juliane também apontou algumas medidas consideradas fundamentais para reduzir a violência contra mulheres no município, como a criação de uma Secretaria da Mulher, ampliação do efetivo de profissionais que atuam na rede de atendimento, capacitação permanente das equipes e ampliação do horário de atendimento da Delegacia da Mulher e do Centro de Referência da Mulher Brasileira.
A conselheira ressaltou que, apesar de avanços, a estrutura de atendimento às vítimas ainda precisa ser ampliada.
“Já avançamos muito, mas ainda há muita coisa que precisa ser feita. A criação da rede de enfrentamento à violência contra a mulher foi uma conquista importante, mas a falta de efetivo e de investimentos ainda são gargalos”, afirmou.
DADOS SOBRE VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES
Dados da Caravana Paraná Unido pelas Mulheres apontam que Ponta Grossa registra números expressivos de violência contra mulheres.
Entre 2018 e 2022, o número de ocorrências saltou de 4.524 para 7.393 casos, um aumento de 63,4%. No período, foram registrados 32.917 casos de violência contra mulheres no município.
No cenário nacional, o levantamento semestral Jan a Jun de 2025, do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem) indica que o Brasil registrou 2.978 casos de feminicídios consumados e tentados no primeiro semestre de 2025, sendo 950 mortes e 2.028 tentativas.
A pesquisa também aponta que a maior incidência de vítimas ocorre entre mulheres de 25 a 34 anos, faixa que representa 32,9% dos casos.
REDE DE APOIO
Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda por meio de canais como o telefone 180, o NUMAPE, o Centro de Referência da Mulher Brasileira, a Delegacia da Mulher, a Casa de Corina Portugal e o Juizado especializado.
Segundo o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, denunciar ainda é um passo fundamental para romper o ciclo de violência.
“Nós sabemos que é extremamente difícil romper esse ciclo, mas existem movimentos, articulações e políticas públicas que nos defendem. Denunciar é o primeiro passo”, destacou a conselheira.
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