Audiência Pública discute desafios do autismo em jovens e adultos no Paraná
A Assembleia Legislativa do Paraná realizou, nesta segunda-feira (4), uma audiência pública para discutir um tema que ainda recebe pouca atenção: o autismo na adolescência e na vida adulta

A Assembleia Legislativa do Paraná realizou, nesta segunda-feira (4), uma audiência pública para discutir um tema que ainda recebe pouca atenção: o autismo na adolescência e na vida adulta. O encontro aconteceu no Plenarinho da Casa e reuniu autoridades, especialistas, familiares e representantes de instituições.
Proposta pelo deputado estadual Bazana, a audiência teve como objetivo ampliar o debate e buscar caminhos concretos para fortalecer políticas públicas voltadas à inclusão social, educacional e na saúde de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Segundo o parlamentar, o foco tradicional no diagnóstico precoce precisa ser ampliado. “Já avançamos muito na infância, mas é fundamental garantir atendimento qualificado e qualidade de vida também para adolescentes e adultos com autismo”, afirmou.
A 1ª vice-presidente da Assembleia, Flavia Francischini, reforçou a necessidade de planejamento a longo prazo. “Falamos muito sobre o autismo na infância, mas ainda não estamos preparados para acompanhar esses jovens ao longo da vida, garantindo acesso, emprego e oportunidades”, destacou.
Políticas Públicas e desafios
Durante o debate, o ex-secretário de Desenvolvimento Social e Família do Paraná, Rogério Carboni, chamou atenção para a necessidade de ampliar o olhar sobre o tema. Ele ressaltou que o autismo exige cuidado contínuo e políticas públicas eficazes, respeitando as diferentes necessidades de cada pessoa.
“Há uma visão equivocada que romantiza o autismo. Em muitos casos, o sofrimento é intenso, tanto para a pessoa quanto para a família”, alertou. Carboni também destacou os desafios enfrentados por mães solo, que muitas vezes assumem sozinhas os cuidados.
Entre os avanços, ele citou a criação de um fundo estadual para pessoas com deficiência e os índices de inclusão escolar, que já superam 80%. Apesar disso, reforçou que ainda há necessidade de atendimento especializado em diversos casos.
O advogado Rogério Leite destacou ações do Governo do Estado em parceria com a Assembleia para garantir direitos às pessoas com deficiência. Ele citou instrumentos como a Carteira de Identificação da Pessoa com TEA (CIPTEA) e a nova Carteira de Identidade Nacional, que permite a inclusão da deficiência, facilitando o acesso a serviços.
Educação e inclusão
Na área educacional, a chefe do Departamento de Educação Inclusiva da Secretaria de Estado da Educação, Maíra de Oliveira, apresentou dados atualizados: são cerca de 53 mil estudantes autistas matriculados na rede regular de ensino, sendo 30% adultos, além de 17 mil atendidos em escolas especializadas, como as Apaes.
Representantes dessas instituições também relataram desafios práticos, como a falta de oportunidades de encaminhamento para autistas adultos e a necessidade de criação de centros especializados, especialmente para casos mais severos.
O presidente da Federação Brasileira de Reabilitação do Paraná (Febiex-PR), João Afonso Germano Filho, reforçou que o autismo não se encerra na infância e alertou para o risco de invisibilidade dessa população ao longo dos anos.
Saúde e qualidade de vida
O psiquiatra Edvino Krul Junior trouxe um alerta importante: muitos adultos com autismo foram “esquecidos” pelo sistema. Segundo ele, a falta de continuidade no atendimento contribui para o agravamento de quadros, especialmente quando há comorbidades psiquiátricas não tratadas.
“Cada condição não tratada aumenta os chamados comportamentos desafiadores, impactando diretamente a qualidade de vida do paciente e da família”, explicou.
Dados apresentados durante a audiência indicam que cerca de 31% dos cuidadores desenvolvem transtornos emocionais, reflexo das dificuldades financeiras e do desgaste no cuidado diário.
Relatos de famílias
A audiência também abriu espaço para relatos emocionantes de familiares. A mãe atípica Sandra Mara Amaral compartilhou sua experiência com o filho Caio, de 25 anos, diagnosticado com autismo grau 3.
“Quando ele chegou à adolescência, muitas portas se fecharam. Sem a escola, não saberíamos o que fazer. Esse é o meu maior medo”, relatou.
Outras mães presentes reforçaram as dificuldades enfrentadas ao longo dos anos, especialmente diante da falta de suporte contínuo. (Com assessoria)
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