Bola Rolando: O Operário parou de perder, mas ainda não voltou a jogar
Operário Ferroviário empata com o Vila Nova, melhora defensivamente, mas segue com dificuldades na criação e no ataque na Série B.

O Operário Ferroviário parou de perder. Isso é positivo. Mas o empate por 0 a 0 diante do Vila Nova também deixou uma pergunta inevitável: quando o Fantasma vai voltar a jogar um futebol capaz de convencer?
O resultado em Vila Oficinas não foi absurdo. Pelo contrário. Pelo que as duas equipes apresentaram, o empate sem gols talvez tenha sido até o placar mais justo. Foi um jogo tecnicamente fraco, de muito respeito entre os adversários e pouca criatividade.
O principal avanço do Operário esteve justamente onde o time vinha causando preocupação: na defesa.
Com o retorno de Cuenu e uma atuação mais segura de Joseph, o Fantasma ganhou consistência. A dupla dá outra característica ao sistema defensivo e transmite uma sensação de segurança maior.
O problema é que futebol não termina na defesa.
Sem Boschilia, falta quem pense o jogo
A ausência de Boschilia escancarou uma deficiência que já vinha aparecendo: o Operário tem enorme dificuldade para construir quando seu principal jogador de criação não está em campo.
Trindade, Diniz, Maxwell e Ángel Torres ocuparam o meio-campo. Houve disposição, movimentação e preenchimento de espaços. Faltou, porém, aquele jogador capaz de enxergar o passe antes dos demais.
E Pablo sofreu com isso.
Escalado como referência ofensiva, muitas vezes precisou abandonar a área para procurar a bola. Quando o centroavante precisa voltar para organizar a jogada, alguma coisa está errada.
O resultado apareceu nas oportunidades criadas.
Foram poucas.
Maxwell obrigou o goleiro Helton Leite a trabalhar em uma cabeçada. Pablo arriscou de fora da área. Maguinho também levou perigo em uma finalização após sobra de escanteio.
Muito pouco para uma equipe que precisava voltar a vencer.
A defesa melhorou. E o ataque?
Não sofrer gol merece ser valorizado, principalmente depois de resultados negativos. Mas existe um detalhe bastante simples nessa história: para ganhar uma partida é preciso marcar.
E esse talvez seja hoje o maior problema do Operário.
Não se trata apenas de perder oportunidades. O time está criando pouco.
O sistema continua oferecendo espaços pelos lados defensivos e mantém somente um jogador com características mais claras de proteção à frente da zaga. Contra o Vila Nova, o adversário percebeu isso e tentou explorar principalmente o lado direito da defesa alvinegra.
Ao mesmo tempo, ofensivamente, falta velocidade de construção, aproximação e presença dentro da área.
Esse é um problema que não nasceu neste empate.
Está se tornando crônico.
E, em um campeonato equilibrado como a Série B, empates começam a custar caro quando os adversários diretos pontuam.
Luizinho precisa encontrar uma resposta
Não cabe à imprensa contratar ou demitir treinador. Essa responsabilidade pertence à diretoria do Operário Ferroviário.
Cabe à imprensa analisar.
E, olhando apenas para aquilo que está sendo apresentado dentro de campo, Luizinho Lopes precisa encontrar uma solução.
O treinador já realizou um trabalho importante no clube e possui méritos evidentes. Isso não significa que seu trabalho esteja acima de questionamentos.
O futebol é feito do presente.
Hoje, a impressão é de um time que conhece sua forma de jogar, repete seus movimentos, mas encontra dificuldade para oferecer algo diferente quando essa estratégia não funciona.
Também existem escolhas que merecem discussão. A utilização de determinados jogadores e a ausência de outras alternativas, como Gabriel Feliciano, naturalmente levantam questionamentos quando o rendimento coletivo não aparece.
O próximo desafio será ainda mais complicado, contra o Fortaleza, fora de casa.
Talvez seja justamente aí que apareça a resposta que o torcedor espera.
O empate contra o Vila Nova mostrou que o Operário pode voltar a ser sólido defensivamente. Agora precisa provar que também consegue criar, atacar e fazer gols.
Porque parar de perder é um começo.
Para voltar a sonhar com a parte de cima da Série B, porém, o Fantasma precisa voltar a vencer.
Assista a análise completa:
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