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Bola Rolando: Operário chegou ao ponto em que mudar deixou de ser opção

Operário Ferroviário na Série B vive momento de pressão. Ivan Vinicius analisa o que precisa mudar antes do duelo contra o Cuiabá.

Operário
Foto: André Jonsson / OFEC
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O momento do Operário Ferroviário na Série B exige muito mais do que discurso, confiança no trabalho realizado ou lembranças do que a equipe já entregou durante a temporada. O Fantasma entra em campo nesta quarta-feira (19), contra o Cuiabá, às 20h30, na Arena Pantanal, pressionado por três derrotas consecutivas e, principalmente, por uma queda de desempenho que começa a preocupar de verdade.

Não é exagero dizer que o jogo em Cuiabá pode representar uma virada de chave. O problema é que essa mudança precisa acontecer dentro de campo, e não apenas no discurso.

O Operário já apresentou um futebol mais seguro nesta Série B. Já esteve entre as melhores defesas da competição, mas perdeu consistência e passou a demonstrar fragilidade justamente em um momento no qual adversários diretos começam a se aproximar na classificação. Na avaliação apresentada antes da rodada, equipes como Vila Nova, Athletic e Novorizontino aparecem com possibilidade real de encostar ou ultrapassar o Fantasma dependendo da combinação de resultados.

O 4-3-3 precisa ser repensado

Uma das principais questões está na forma como o time vem sendo montado.

O 4-3-3 utilizado pelo técnico Luizinho Lopes deixou de entregar equilíbrio. O Operário tem laterais que avançam muito, pouca proteção à frente da defesa e dificuldades evidentes de recomposição. Quando perde a bola, abre espaços demais.

Por isso, talvez tenha chegado o momento de simplificar.

Um 4-4-2, com dois jogadores de maior poder de marcação protegendo a defesa, poderia entregar ao time justamente aquilo que tem faltado: equilíbrio. Os laterais também precisam alternar as subidas. Não existe obrigação de atacar com todo mundo ao mesmo tempo.

Antes de pensar em ser bonito, o Operário precisa voltar a ser competitivo.

A referência pode estar em equipes que conseguem construir suas campanhas a partir da defesa. O Juventude, citado como dono de uma das melhores estruturas defensivas da competição, vinha se destacando justamente pela capacidade de sofrer poucos gols e encontrar oportunidades para decidir partidas, inclusive longe de casa.

Nome não pode garantir lugar no time

Outro ponto precisa ser enfrentado: futebol não pode ser disputado com escalação baseada apenas no que determinado jogador fez semanas ou meses atrás.

Quem está melhor precisa jogar.

Alguns atletas atravessam um período abaixo do esperado, enquanto o elenco oferece alternativas que precisam ser observadas. O próprio rendimento físico da equipe também chama a atenção, com uma queda de intensidade relatada principalmente depois dos primeiros 15 ou 20 minutos do segundo tempo.

Isso exige respostas também do banco.

Se o time perde intensidade, o treinador precisa perceber. Se uma peça não funciona, precisa substituir. Se o esquema não encaixa, precisa mudar.

Insistir apenas porque já funcionou anteriormente é correr um risco desnecessário.

Não existe “gordura” eterna

Talvez o ponto mais importante seja mental.

O Operário fez coisas importantes durante a temporada, mas campeonato não premia lembrança. No futebol, assim como em qualquer profissão, aquilo que você produziu ontem não garante resultado amanhã.

É necessário mostrar serviço novamente.

A ideia de que existe uma “gordura para gastar” pode ser perigosíssima. A Série B é justamente uma competição que pune rapidamente equipes que entram em sequência negativa. Quando se percebe, aquilo que parecia uma posição confortável vira uma briga completamente diferente.

O discurso precisa ser simples: correr, competir, marcar, disputar e jogar.

Foi justamente essa cobrança por maior “garra, espírito de luta e pegada” que apareceu como expectativa para o duelo diante do Cuiabá.

A hora de mudar é agora

A diretoria do Operário vem desenvolvendo seu trabalho, mas chegou um daqueles momentos em que o departamento de futebol inteiro precisa estar conectado.

Comissão técnica, jogadores e dirigentes precisam entender o tamanho do jogo desta quarta-feira.

Não significa interferir por interferir. Significa cobrar resposta, avaliar escolhas e impedir que uma sequência ruim se transforme em crise.

E há um detalhe importante: depois do Cuiabá, o Operário terá pela frente o Vila Nova. Ou seja, esperar mais uma rodada para tentar reagir pode custar caro. A própria análise antes do confronto aponta o duelo desta noite como um possível momento de “virada de chave”.

O Operário precisa mudar algumas peças, mudar sua postura e, principalmente, recuperar a competitividade.

Pode até não jogar um futebol brilhante em Cuiabá.

Mas precisa voltar a parecer o Operário.

ASSISTA A ANÁLISE COMPLETA:

Ivan Vinícius
Autoria
Ivan Vinícius
Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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