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Bola Rolando: quando o jogo não encaixa, o talento decide e o Operário vence o CRB

Operário x CRB terminou com vitória por 3 a 0 do Fantasma em Ponta Grossa, em noite de golaços, expulsão e mudança de postura no segundo tempo.

Operário
Foto: OFEC
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Operário x CRB terminou com uma vitória incontestável no placar: 3 a 0 para o Fantasma, na noite de quarta-feira (9), em Ponta Grossa. Mas quem olhar apenas para o resultado pode imaginar uma partida completamente diferente daquela que vimos, especialmente durante boa parte do primeiro tempo.

E talvez esteja justamente aí uma das grandes virtudes desta vitória.

O Operário não precisou jogar bem durante os 90 minutos para vencer. Precisou sobreviver quando estava mal, aproveitar as individualidades que possui e, depois, saber controlar o adversário.

Foi uma vitória construída primeiro no talento. Depois, na organização.

O CRB começou melhor, mesmo com dez

Os primeiros minutos foram de preocupação.

O CRB entrou pressionando, trabalhando bem pelo meio e conseguindo encontrar espaços diante de um Operário lento na saída de bola. Pedro Castro comandava a criação, enquanto o ataque alagoano dava trabalho constantemente à defesa alvinegra.

Aos 10 minutos, porém, aconteceu um dos lances que mudaram completamente o cenário da partida.

Depois de o Operário desarmar um ataque perigoso, a bola foi lançada para Ângel Torres. O atacante avançava em direção ao gol quando foi derrubado por Lucas Lovat. O árbitro Arthur Gomes Rabelo entendeu que o jogador do CRB era o último defensor e mostrou imediatamente o cartão vermelho.

Veio então uma longa reclamação dos visitantes.

O questionamento era sobre a presença de Ângel Torres em campo. Pouco antes, ele havia deixado o gramado para regularizar o uniforme, pois estava utilizando meiões de cor diferente dos demais jogadores do Operário.

Após permanecer do lado de fora e ser autorizado pela arbitragem a retornar, Torres voltou normalmente à partida. Portanto, quando recebeu a bola no lance que terminou na expulsão, estava legalmente em campo.

O CRB protestou. A arbitragem manteve a decisão.

Mas aconteceu algo curioso: com dez jogadores, o CRB continuou sendo melhor.

Por vários minutos, ninguém diria que era o Operário quem tinha superioridade numérica. O Fantasma errava passes, tinha dificuldade para sair do campo defensivo e praticamente dependia de sua defesa para impedir que a pressão alagoana se transformasse em gol.

Moraes Júnior tira um golaço da cartola

Foi então que, aos 39 minutos, apareceu aquilo que muda partidas equilibradas ou até partidas ruins: a individualidade.

Moraes Júnior recebeu pela esquerda, ainda longe da área. Levantou a cabeça e arriscou.

E que chute!

Uma bomba, praticamente sem chance de reação para Vitor Caetano.

1 a 0 Operário.

Um golaço daqueles que não aparecem toda semana. Talvez nem todo mês.

E, principalmente, um gol que caiu no momento em que o Fantasma mais precisava.

O CRB sentiu.

O Operário respirou.

Ângel Torres aparece novamente

Quando parecia que o primeiro tempo terminaria com vantagem mínima, o Fantasma encontrou mais uma jogada individual decisiva.

Já nos acréscimos, Boschilia participou da construção, Ângel Torres apareceu pelo lado esquerdo e colocou uma bola praticamente perfeita na área.

Vinícius Diniz fez aquilo que sabe fazer muito bem: atacou a bola pelo alto.

Cabeçada certeira, no ângulo.

2 a 0.

O placar dizia que o Operário tinha ampla vantagem. O futebol apresentado até aquele momento dizia outra coisa.

Mas futebol também é isso.

Não basta jogar melhor.

É preciso fazer gol.

E, naquele primeiro tempo, quando o coletivo ainda não funcionava, os jogadores do Operário resolveram individualmente.

Luizinho mexeu e o Operário mudou

Se o primeiro tempo deixou preocupação, o intervalo trouxe uma boa resposta do banco.

Luizinho Lopes, muitas vezes questionado pela demora em realizar mudanças, não esperou.

Mexeu.

Com um jogador já amarelado e encontrando dificuldades pelo corredor direito, o treinador reforçou a marcação com Miranda. No ataque, Caio Dantas entrou no lugar de Mingotti.

O resultado apareceu rapidamente.

O Operário do segundo tempo foi completamente diferente.

Mais organizado, mais tranquilo para sair de trás, acertando melhor os passes e, finalmente, conseguindo transformar a superioridade numérica em superioridade dentro do campo.

A partida passou para as mãos do Fantasma.

Caio Dantas fecha a conta

Aos 18 minutos da segunda etapa veio o golpe definitivo.

Berto Pereira fez grande jogada pelo lado esquerdo, venceu a marcação e colocou a bola com precisão na segunda trave.

Caio Dantas apareceu no lugar certo.

Cabeçada.

Gol.

Operário 3 x 0 CRB.

Ali terminou qualquer possibilidade de reação.

O Fantasma passou a administrar o jogo, controlou a posse de bola e evitou sustos até o apito final.

Uma vitória grande.

Talvez maior no resultado do que na atuação durante os 90 minutos, mas absolutamente importante.

Dentro de casa, primeiro é preciso vencer

O Operário não fez uma partida perfeita.

Muito longe disso.

Durante grande parte do primeiro tempo, mesmo atuando com um jogador a mais, foi o CRB quem apresentou o melhor futebol. Isso precisa ser observado e corrigido, porque contra adversários mais eficientes dificilmente haverá tanta margem para recuperação.

Mas também existe o outro lado.

Times competitivos precisam aprender a vencer quando o futebol não aparece.

E o Operário fez exatamente isso.

Quando o coletivo não funcionou, Moraes Júnior acertou uma bomba.

Quando precisava ampliar, Ângel Torres encontrou Vinícius Diniz.

Quando Luizinho Lopes percebeu os problemas, mexeu no intervalo.

E quando o time finalmente encaixou, Caio Dantas matou o jogo.

No fim das contas, fica aquele velho ensinamento do futebol, especialmente quando se joga diante da própria torcida:

em casa, algumas partidas não precisam ser bonitas. Precisam ser vencidas.

E o Operário venceu.

Venceu por 3 a 0.

Com sofrimento no começo, talento para abrir vantagem e autoridade para controlar depois.

Uma vitória que vale três pontos — mas que também deixa algumas boas respostas e alguns importantes alertas para aquilo que vem pela frente.

Assista a análise completa:

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Ivan Vinícius
Autoria
Ivan Vinícius
Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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