O moço gordinho era irmão do moço magrinho. Nas manhãs acordava, o magrinho e bronzeado, para surfar. O mais velho, pela branca, nunca exposta ao sol, corpanzil volumoso, quilos e quilos a mais do que o outro. Em vez de surfar trabalha numa farmácia, indicava medicamentos, e também consumia cápsulas, drágeas, muitas fórmulas. Alçava seu corpo às prateleiras mais elevadas com as escadas que corriam parede a parede e o levavam aos penhascos ora em calmaria, ora em fúria de clientes alvoroçados qual mar revolto.
Tanto mais sedentário o corpo mais apegado aos remédios, para dormir, para acordar, para em comida não pensar e o corpo ainda assim a aumentar. O irmão magrinho ganhava bolo de chocolate, feito pela mãe. E ele comia, se fartava, e seu corpo não se avolumava. Nos pedaços do bolo a desproporção se revelava nas mordidas degustadas e nas não experimentadas.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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