SEXTA-FEIRA · 26 JUN 2026Ponta Grossa 12°C 🌦️
Publicidade
Colunistas

Borboletas, por Lucas Gonçalves

Borboletas no estômago fala sobre paixão, propósito e a pergunta que muitos evitam: quando foi a última vez que você fez algo só por você?

borboletas moto
Imagem ilustrativa gerada por IA.
Publicidade

Você se lembra da última vez que fez algo movido puramente por paixão?

 

Não por obrigação. Não por currículo. Não porque alguém esperava. Por paixão mesmo. Aquela que não precisa de justificativa, que não cabe em meta e que o mundo adulto trata como frescura.

Eu tinha 15 anos quando fui trabalhar pela primeira vez.

Não porque minha família precisava. Mas porque meu sonho era comprar uma moto. Simples assim. Só o desejo claro, concreto e meu de sentar em duas rodas e rodar por aí.

Comecei como faz tudo em uma agência de publicidade em Curitiba. Fazia o que mandavam, aprendia o que podia, guardava o que sobrava. Não tinha glamour nenhum. Mas tinha algo que a maioria das pessoas perde quando entra no mercado de trabalho: sabia exatamente por que estava ali.

Propósito com endereço. Com motor. Com dois espelhos retrovisores.

Aos 16 anos comprei minha primeira moto. Quando sentei nela pela primeira vez senti borboletas no estômago. O tipo que nasce antes do pensamento e chega antes das palavras. Não era euforia passageira. Era reconhecimento. Como se uma parte de mim que sempre existiu finalmente tivesse encontrado o lugar certo.

Dei a primeira volta.

E o mundo parou.

Me vi naquela sala de artes novamente. Uma trilha sonora começou a tocar dentro da minha cabeça, clara, intensa, só minha. E a sensação de liberdade era indescritível. Não era velocidade. Era presença. Era eu, inteiro, sem precisar ser mais nada além do que era.

Você já teve esse momento? Aquele em que tudo faz sentido sem precisar de explicação? Em que o corpo sabe antes da cabeça, e a cabeça não precisa convencer ninguém?

A maioria de nós teve. O problema é o que veio depois.

O mundo não para para esperar você entender quem você é. Ele te empurra. Te forma. Te convence de que crescer é deixar essas coisas para trás. Que responsabilidade e paixão não cabem na mesma frase. Que borboletas no estômago são coisa de adolescente.

E você vai acreditando. Aos poucos. Sem perceber.

Fui. Entrei mais fundo no mercado. Subi. Produzi. Entregui. E fui me distanciando, sem perceber, do menino que trabalhou um ano inteiro só para sentir borboletas no estômago.

Ele ainda existe. Só ficou muito tempo sem ser ouvido.

A pergunta que não sai da minha cabeça é essa: quando foi a última vez que você fez algo que te deu borboletas no estômago?

E se faz tempo demais, o que você fez com elas?

 

Veja mais colunas

Menina, por Renata Régis Florisbelo

Lucas Gonçalves
Autoria
Lucas Gonçalves
Minha carreira é definida pela habilidade de combinar tradição com inovação, isso resulta em estratégias de marketing e growth que normalmente excedem as expectativas convencionais. Tenho um histórico diversificado, com passagens por agências de publicidade, startups, incorporadoras, multinacionais e escritórios de cybersegurança, isso demonstra a minha versatilidade e capacidade de adaptação. Curioso, procuro antecipar algumas tendências. Tenho uma abordagem mais centrada na análise de dados e na criatividade, visando resultados que impulsionam o crescimento dos negócios.
Ver todas as matérias →
Publicidade
Publicidade
Notícias relacionadas
Web Stories
Todas →
VídeosMais vídeos para você curtir
Ver no YouTube →