Uma casca de banana no meio do asfalto. Virada para baixo como uma flor invertida. Assim largada era a flor de um pedido de amor que não foi reconhecida. Tão discreta, mas berrando no calor do asfalto. Alguém comeu? Largou da janela de um carro? Quem come bananas e arremessa a casca na via pública? É coisa pública comer bananas em público? E isto é coisa que se publique? E quem disse que a casca precisa da fruta? Assim largada no meio da rua estava alforriada!
A prisão, polpa outrora aderida, sua escravidão! Não quero fazer drama, mas não é todo dia que diante de nós uma casca de banana se esparrama. Foi coisa recente, o frescor ainda nela presente. Senti compaixão pela mão que lhe atirou no chão, pena da boca que sorveu do fruto a simples polpa. A casca inteira, vertida feito a flor que beija o chão, foi alçada a excelsa condição. Nunca mais a submissão!
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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