Abrindo a porta da geladeira lá estavam três caixas de leite. Às vezes um bilhetinho com o nome para identificar o dono ou embalagens em cores distintas a se diferenciarem. Situação semelhante quanto aos refrigerantes, iogurtes, pães, biscoitos, itens comestíveis e itens consumíveis. Sabonete, pasta de dentes, detergente, tudo separado e quando havia concordância entre os envolvidos rateado.
Nem sempre fácil esta última opção, pois envolvia cálculos para ponderar o consumo individualizado, uma planilha de custos. E o que se chamava de “República”, para nominar um pequeno grupo de estudantes que se apoiavam financeiramente compartilhando um domicílio, ganhava expressões e interações improváveis para tentar dividir, sem dividir, compartilhar, sem compartilhar. Hoje, quando de relance abro a geladeira e encontro caixas de leite, minha memória mergulha naqueles refrigeradores das repúblicas, e os litros de leite, com os nomes de seus donos a berrar.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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