Não lembro da origem dele, eu mesma comprei ou talvez tenha sido presente de alguém. Mais de quinze anos é certo que ele tem. Um cobertor de rosas em tom vermelho e violeta. Coisa sim um tanto escandalosa. Ele também achou exagerado. Ao nos cobrirmos ele estranhou, riu, brincou, e se deixou acalentar por aquelas rosas grandes junto com o meu abraço. Em passeios, cursos, aquele cobertor nos acompanhava, fiel e solidário em presença. Incontáveis noites.
… E quando você foi embora deste mundo dando adeus com uma doença súbita e silenciosa ao lado do teu corpo fiquei. E aquela tarde pareceu um dia inteiro, vagaroso nas horas que nunca mais te trariam de volta. Então foi necessário buscar algo que cobrisse teu corpo, na última despedida de ti. E pensei no cobertor de rosas gigantes. Não, nossas rosas não. Já seria inimaginavelmente difícil ficar sem você, então nossas rosas felpudas ficaram comigo para recordar de ti. Nós dois, eu e o cobertor, sentimos, para sempre tua falta.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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