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Brasil

Com inflação da comida, famílias do Bolsa Família correm risco de insegurança alimentar

Um relatório recente da Organização das Nações Unidas indica que, embora a fome tenha diminuído no país, ainda há 14,3 milhões de brasileiros afetados por essa realidade

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A Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), sob a presidência do Ministério do Desenvolvimento Social, apresentou o 3º Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que abrange o período de 2025 a 2027. A iniciativa, publicada no Diário Oficial da União na última quarta-feira (5), destaca a preocupação com a insegurança alimentar que ainda afeta cerca de 1,3 milhões de famílias no Brasil, mesmo com a implementação do Bolsa Família.

Segundo os dados da Caisan, muitas dessas famílias continuam em situação de vulnerabilidade extrema, não conseguindo superar a linha da pobreza. Essa condição pode levar a dificuldades na obtenção dos nutrientes essenciais para a saúde, evidenciando o impacto negativo do aumento dos preços dos alimentos na vida dos brasileiros mais necessitados.

Desde seu primeiro plano em 2011, seguido por uma segunda versão em 2016, o governo brasileiro tem buscado maneiras de mitigar os efeitos da insegurança alimentar. Atualmente, o Bolsa Família oferece suporte financeiro mínimo de R$ 600 para famílias cuja renda individual é inferior a R$ 218.

No entanto, as crescentes despesas com habitação e transporte, em especial com alimentação, estão pressionando o orçamento familiar. O documento ressalta que enquanto as políticas de garantia de renda são fundamentais para ampliar o poder aquisitivo das famílias, é igualmente crucial controlar a inflação dos alimentos. A elevação constante nos preços compromete significativamente a capacidade de compra desses cidadãos.

A Caisan alerta que essa questão se torna ainda mais crítica diante da predominância de alimentos ultraprocessados no mercado, que apresentam preços mais acessíveis e influenciam negativamente as escolhas alimentares da população. Isso pode resultar na adoção de hábitos alimentares menos saudáveis, exacerbando problemas nutricionais entre os mais vulneráveis.

A insegurança alimentar é classificada em dois níveis: moderada, quando as pessoas enfrentam incertezas sobre sua capacidade de adquirir alimentos adequados; e grave, quando há ausência total de comida nas residências. Este cenário gera um alerta no governo federal.

Desde o ano passado, a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em constante diálogo sobre estratégias para reduzir os preços dos alimentos. Nesta  quinta-feira (6), o vice-presidente Geraldo Alckmin se reune com representantes do setor alimentício para discutir soluções que possam aliviar essa pressão econômica.

O compromisso do governo em erradicar a fome no Brasil até 2026 é reforçado pelo plano apresentado pela Caisan. Um relatório recente da Organização das Nações Unidas indica que, embora a fome tenha diminuído no país, ainda há 14,3 milhões de brasileiros afetados por essa realidade. Para enfrentar esse desafio complexo, foram estabelecidas 18 estratégias e 219 iniciativas focadas na segurança alimentar e nutricional, com especial atenção às questões relacionadas à Amazônia e ao impacto das mudanças climáticas no direito à alimentação adequada.

Leia também Desempenho do Plano Safra 2024/25: desembolsos atingem R$ 245,57 bilhões

Boca no Trombone
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