EUA criam corredor secreto de petróleo em Ormuz, diz site
Os Estados Unidos criaram discretamente um corredor marítimo para escoar petróleo pelo Estreito de Ormuz. A operação, revelada pelo Axios, movimenta milhões de barris por dia e ocorre em meio a tensões com o Irã.

Os Estados Unidos criaram discretamente um corredor marítimo para transportar milhões de barris de petróleo por dia pelo Estreito de Ormuz. Além disso, a informação foi divulgada pelo site Axios nesta quarta-feira (19), com base em autoridades americanas.
Segundo a publicação, a operação está em vigor há semanas e permite que 10 milhões de barris diários sejam transportados para fora do estreito e inseridos no mercado global. Dessa forma, o volume corresponde à metade do que era registrado antes da guerra contra o Irã.
Como funciona a operação secreta
Como parte desses esforços, militares ajudam petroleiros vazios a entrar no Golfo, abastecer e sair, relatou o Axios. Além disso, a coordenação envolve aliados dos EUA na região, que fornecem a lista de embarcações.
- Entrada: petroleiros vazios são escoltados para dentro do Golfo;
- Abastecimento: as embarcações são carregadas com petróleo;
- Saída: os navios deixam o estreito com o produto.
Em algumas noites, o volume de petróleo que passou pela rota ficou entre 15 e 20 milhões de barris por dia, de acordo com autoridades americanas. Portanto, os números reforçam a escala da movimentação e a importância estratégica do estreito.
Declarações de Trump e reação do Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira que o Estreito de Ormuz estava aberto e que “muitos barcos” estavam passando por ele. Além disso, a afirmação foi feita em um momento de disputa narrativa sobre o controle da via marítima. Por outro lado, o Irã negou repetidamente as afirmações de Trump sobre Ormuz.
Exigências do Irã para reabertura
O governo iraniano fez uma série de exigências para a reabertura da via marítima. Entre as condições estão:
- O fim das sanções;
- O fim do bloqueio naval aos portos iranianos;
- O fim das ameaças militares.
As demandas foram apresentadas enquanto os dois lados reivindicam vantagem na região.
Perda de controle iraniano e rota alternativa
A CNN mostrou esta semana que o Irã tem perdido o controle que exerce sobre a rota. No entanto, apesar dos riscos, embarcações ignoraram exigências iranianas e atravessaram o Estreito de Ormuz com a promessa de proteção das forças americanas. Consequentemente, a mudança de comportamento indica uma nova dinâmica no local.
Rota de Omã como alternativa
A maioria das embarcações tem usado a rota de Omã, um canal de navegação autorizado pela ONU ao qual o Irã se opõe veementemente, de acordo com a empresa de monitoramento Kpler. Dessa forma, essa alternativa tem sido adotada por navios que buscam evitar o bloqueio iraniano.
Navios de alta capacidade e transponders desligados
Especialistas do setor relataram à CNN que Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos fretaram navios petroleiros de altíssima capacidade para deixar o Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz. Em seguida, esse petróleo é transferido para navios de clientes fora da zona de perigo, no Golfo de Omã. Além disso, a operação minimiza a exposição dos grandes petroleiros aos riscos da região.
Para escapar dos ataques iranianos, as embarcações desligaram seus transponders, muitas vezes por semanas seguidas. Consequentemente, a medida dificulta o rastreamento e reduz a vulnerabilidade a possíveis ações hostis. A prática também evidencia o clima de insegurança no Estreito de Ormuz.
Vigilância americana e impacto global
Contudo, os Estados Unidos, com uma presença militar expressiva na água, mantêm vigilância sobre todas as embarcações que passam pelo local e relataram volumes de transporte de petróleo significativamente maiores do que as estimativas tradicionais sugeriam. Dessa forma, os dados oficiais contrastam com os números usualmente divulgados pelo setor.
Antes do início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, o Estreito de Ormuz era responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente. Portanto, a importância da rota para o abastecimento mundial explica por que as movimentações secretas geram tanta atenção.
A situação no Estreito de Ormuz segue em desenvolvimento, com impactos diretos no preço e na oferta de energia. Continue acompanhando o Boca no Trombone para mais atualizações sobre o conflito e seus desdobramentos no mercado global.
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