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Política

Defesa de Flávio Bolsonaro pede afastamento de Moraes

A defesa do senador Flávio Bolsonaro protocolou petição no STF pedindo o afastamento do ministro Alexandre de Moraes da investigação sobre suposta lavagem de dinheiro. Os advogados alegam que Moraes utilizou aeronave de empresa ligada ao caso e apontam suspeição. Também pedem revogação de medidas cautelares e transferência da relatoria para André Mendonça.

Defesa de Flávio Bolsonaro pede afastamento de Moraes
Crédito: www.gazetadopovo.com.br
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A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que o ministro Alexandre de Moraes seja afastado da investigação que apura suposta lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. Os advogados sustentam que Moraes deveria deixar o caso porque teria utilizado uma aeronave vinculada à estrutura empresarial investigada pela Polícia Federal. O avião também aparece na apuração sobre a relação entre Flávio e Willer, que são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro.

Caso o STF não reconheça o impedimento, os advogados pedem que seja declarada a suspeição do ministro. A petição foi protocolada nesta semana e ainda não tem data para julgamento. O caso tramita em sigilo, mas a defesa divulgou os principais argumentos.

Uso de jato e vínculos societários

A defesa afirma que Moraes e Viviane Barci de Moraes utilizaram o jato Legacy 650, de prefixo PP-NLR, em julho e agosto de 2025. A aeronave pertence à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., sociedade que também aparece na investigação sobre Flávio e Willer. Segundo a petição, a empresa tinha participação dividida entre Willer Tomaz, Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, e a Prime You. O advogado teria sido um dos sócios, enquanto Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, manteve participação na Prime You de 2021 a setembro de 2025.

A defesa também menciona que Viviane foi contratada pelo Banco Master por R$ 130 milhões e afirma que a Polícia Federal investiga a possível transferência de cotas da Fraction 024 como parte do pagamento ao escritório. O escritório nega essa relação comercial. Os advogados de Flávio sustentam que esses vínculos tornam necessário afastar Moraes da condução do caso. Na petição, afirmam que o resultado da apuração sobre a sociedade pode ter repercussões na esfera jurídica da esposa do ministro e em fatos dos quais ele próprio participou como passageiro.

Pedido de revogação de medidas cautelares

Além da mudança de relator, a defesa solicita a revogação das medidas cautelares determinadas contra Flávio. Entre elas estão o cancelamento dos passaportes brasileiros, a entrega do documento italiano e a proibição de contato com Willer Tomaz. Os advogados contestam os fundamentos utilizados para justificar as restrições. Afirmam que o banco negou que Flávio fosse “usuário master” de contas de uma empresa ligada a Willer e sustentam que o risco de fuga não poderia ser fundamentado em declarações de terceiros.

A defesa também argumenta que questionar o resultado eleitoral por meios institucionais não poderia ser considerado indício de intenção de deixar o país. A petição não menciona a viagem de Flávio aos Estados Unidos, realizada depois da determinação de entrega dos passaportes. Os advogados pedem que as medidas sejam revogadas imediatamente, por considerarem que não há mais justificativa para mantê-las.

Relatoria de André Mendonça

Em outra frente, os advogados argumentam que o caso deveria estar sob a relatoria de André Mendonça, responsável pela investigação sobre fraudes no INSS, conhecida como Operação Sem Desconto. A defesa afirma que o inquérito envolvendo Flávio seria um desdobramento dessa apuração e que os dois casos têm como ponto comum a investigação sobre Willer Tomaz e sua rede de empresas. Por isso, sustentam que a prevenção deveria ser reconhecida e o processo redistribuído.

A investigação apura se Flávio e Willer mantinham uma sociedade indireta para lavagem de dinheiro, inclusive por meio de uma casa de apostas. Ambos negam irregularidades. O senador afirma que nunca teve sociedade com Willer e que todas as suas atividades foram lícitas. Willer Tomaz também nega qualquer participação em esquemas ilegais.

Próximos passos

O pedido será analisado pelo próprio ministro Alexandre de Moraes, que pode decidir monocraticamente ou levar ao plenário do STF. Não há prazo para decisão. A defesa espera que o tribunal reconheça o impedimento ou a suspeição e, consequentemente, anule as medidas cautelares. Enquanto isso, a investigação segue em andamento na Polícia Federal, sob sigilo.

O caso ganha repercussão nacional por envolver um senador da República e um ministro do STF. A decisão sobre o afastamento pode influenciar outros processos em que Moraes atua como relator, especialmente aqueles relacionados a investigações políticas. A defesa de Flávio Bolsonaro afirma que continuará buscando todos os meios legais para garantir a imparcialidade do julgamento.

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Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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