A delação de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, entrou em uma nova etapa nesta terça-feira (5), após a defesa do empresário entregar oficialmente à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF) a proposta de colaboração premiada ligada à Operação Compliance Zero.
Com o envio dos anexos, começa agora a fase de avaliação do conteúdo apresentado às autoridades. O acordo poderá avançar caso os investigadores considerem consistentes as provas entregues pela defesa do banqueiro.
Entre os materiais que devem ser analisados estão documentos financeiros, registros bancários, imagens, gravações e outros elementos capazes de comprovar os relatos apresentados no processo de colaboração.
A expectativa sobre a delação de Daniel Vorcaro já movimentava os bastidores jurídicos desde abril, principalmente após o avanço das investigações envolvendo operações financeiras consideradas suspeitas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Caso marca atuação inédita entre PGR e Polícia Federal
O episódio também chama atenção por abrir um precedente considerado histórico no país. Pela primeira vez, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal atuam conjuntamente na condução de uma negociação de delação premiada.
Nos bastidores jurídicos, a medida é vista como estratégica para acelerar a análise das informações e ampliar o compartilhamento de provas relacionadas ao esquema investigado.
A Operação Compliance Zero apura a suposta venda de carteiras de crédito fraudulentas ao BRB. Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde o dia 4 de março, quando a terceira fase da investigação foi deflagrada.
Ex-presidente do BRB também negocia delação
Outro nome central no caso é o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa. Preso desde 16 de abril, ele também negocia um possível acordo de colaboração com a Justiça.
Segundo as investigações, Costa é suspeito de receber cerca de R$ 146 milhões em propina para favorecer interesses ligados ao Banco Master em operações financeiras com o BRB.
No fim de abril, a defesa do ex-executivo solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a transferência do Complexo da Papuda. O objetivo seria facilitar reuniões com advogados durante as negociações da delação.
Investigação entra em fase decisiva
A análise das provas entregues pela defesa de Daniel Vorcaro pode definir os próximos passos da Operação Compliance Zero. Caso os materiais sejam considerados robustos, o acordo de colaboração poderá abrir novas linhas de investigação e ampliar o alcance das apurações sobre o esquema financeiro investigado.
Nos meios jurídicos, a expectativa é que os depoimentos e documentos apresentados tragam detalhes sobre a estrutura das operações envolvendo o Banco Master e possíveis conexões com outros agentes do mercado financeiro.
Leia mais: Ponta Grossa se consolida como potência na produção de caqui no Paraná


















