Discussão sobre rodeios movimenta Câmara de PG e projeto tem votação adiada
Pedido de vista e debate sobre bem-estar animal adiam análise de projeto que reconhece rodeios e provas de laço como patrimônio cultural do município

A discussão sobre o reconhecimento dos rodeios, provas de laço, esportes equestres e demais manifestações campeiras como patrimônio cultural imaterial de Ponta Grossa movimentou a sessão ordinária da Câmara Municipal nesta quarta-feira (22). O projeto de lei, de autoria do vereador Júlio Küller, teve a votação adiada após pedido de vista aprovado pelos parlamentares.
A proposta prevê o reconhecimento dessas atividades como patrimônio cultural do município, seguindo legislações já existentes em âmbito estadual e federal. No entanto, antes da votação, o projeto gerou intenso debate entre os vereadores, especialmente em relação aos aspectos ligados ao bem-estar animal.
A vereadora Teka dos Animais questionou a tramitação da matéria, argumentando que o projeto deveria ter passado pela Comissão Permanente de Turismo, Meio Ambiente e Bem-Estar Animal. Segundo ela, apesar de tratar do reconhecimento cultural, o texto faz referência a rodeios e provas de laço, atividades que envolvem animais e, por isso, mereceriam análise específica da comissão competente.
A parlamentar afirmou ainda que recebeu manifestações de entidades e defensores da causa animal preocupados com o projeto e defendeu que a proposta fosse retirada de pauta para análise técnica da comissão. Como o pedido não foi acolhido naquele momento, a discussão avançou para um pedido de vista.
Vereadores defendem caráter cultural do projeto
Durante o debate, vereadores favoráveis à proposta destacaram que o projeto não trata da regulamentação dos rodeios nem das práticas envolvendo animais, mas apenas do reconhecimento das manifestações campeiras como patrimônio cultural de Ponta Grossa.
O vereador Eder Pimentel afirmou que o texto discute exclusivamente o aspecto cultural e ressaltou que eventos do gênero já seguem normas de proteção animal, incluindo a presença obrigatória de médico-veterinário. Segundo ele, a expectativa é de que a proposta valorize uma tradição presente em diversos municípios brasileiros.
Na mesma linha, o vereador Florenal reforçou que o projeto busca apenas reconhecer oficialmente uma manifestação cultural já contemplada em outras legislações e que a discussão não envolve autorização para maus-tratos ou mudanças nas regras dos eventos.
Pedido de vista adia votação
Diante do impasse, o vereador Geraldo Stocco apresentou um pedido de vista por um dia, justificando que o autor da proposta não estava presente na sessão e que seria importante esclarecer alguns pontos antes da votação definitiva.
O pedido recebeu apoio da maioria dos parlamentares e foi aprovado por 14 votos favoráveis, retirando temporariamente o projeto da pauta. Com isso, a matéria deverá retornar para nova discussão e votação na próxima sessão da Câmara Municipal.























