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Dos contos do vigário aos golpes digitais: a evolução da enganação no Brasil

Criminosos mantêm alvos e estratégias parecidas, mas agora usam a tecnologia como principal aliada

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De bilhetes premiados a mensagens falsas no WhatsApp, os golpes mudaram de roupa, mas continuam mirando os mesmos alvos: os desavisados, os gananciosos e os vulneráveis. Se antes o criminoso precisava estar cara a cara com a vítima, hoje bastam um celular e acesso à internet para aplicar o “conto”.

Bilhete premiado x Golpe do Pix errado

Antigamente, um dos golpes mais conhecidos era o do bilhete premiado: o estelionatário se aproximava de alguém na rua, dizia ter um bilhete de loteria premiado, mas não sabia como resgatar o valor. Oferecia vender o bilhete por um valor bem menor, apelando para a “boa vontade” ou ganância da vítima.

Hoje, o equivalente é o golpe do Pix errado: o golpista simula ter feito uma transferência por engano e pede que a vítima “devolva” o valor. Em muitos casos, o comprovante enviado é falso, mas a vítima, na pressa de “reembolsar”, acaba enviando dinheiro real.

Conto do paco x Falsos investimentos

O conto do paco envolvia uma pilha de dinheiro falsa envolta por cédulas verdadeiras. O golpista dizia ter muito dinheiro, mas precisava de ajuda para guardá-lo, transportar ou investir. A vítima, envolvida na ganância, acabava “emprestando” dinheiro e ficava no prejuízo.

Hoje, o golpe aparece em forma de falsas plataformas de investimento: promessas de rendimentos altos, rápidos e garantidos — geralmente por meio de criptomoedas, Forex ou robôs de apostas. A aparência profissional dos sites e o uso de “testemunhos” falsos dão credibilidade à farsa.

Boa noite, Cinderela x Golpe do amor online

A antiga “Boa noite, Cinderela” envolvia dopar a vítima para roubar seus bens — comum em bares, festas e encontros.

Na era digital, o golpe evoluiu para o “golpe do amor” ou romance scam: o criminoso cria um perfil falso em redes sociais ou aplicativos de namoro, envolve emocionalmente a vítima e, em seguida, começa a pedir dinheiro com desculpas variadas — tratamento médico, passagem aérea, dívida urgente.

Mudam os meios, permanecem os fins

Segundo especialistas em segurança digital, os golpes atuais utilizam as redes sociais, aplicativos de mensagem e até deepfakes para ludibriar. Mas a lógica é a mesma: enganar, criar uma história verossímil, despertar uma emoção (ganância, medo, compaixão, desejo) e aplicar o golpe antes que a vítima perceba.

As vítimas ainda são as mesmas: idosos, pessoas em situação emocional vulnerável ou que têm pouca familiaridade com tecnologia. A diferença é que agora o golpe pode vir de um número com DDD de outro estado ou até de outro país.

Como se proteger?

  • Desconfie de promessas fáceis de dinheiro.

  • Não envie dinheiro ou dados pessoais para quem você não conhece.

  • Confirme qualquer informação antes de agir — especialmente se envolver transferências financeiras.

  • Use a verificação em duas etapas nos seus aplicativos e redes sociais.

  • Denuncie. Golpes virtuais são crimes e devem ser investigados.

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Luis Carlos Pimentel
Autoria
Luis Carlos Pimentel
Formado em Técnica Contábil, estudou Jornalismo na Faculdade Secal. Há 40 anos trabalha em meios de comunicação social. Trabalhou em emissoras de rádio, jornais impressos e portais. Registro Mtb/PR - 4451
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